A BRK precisa de fiscalização. Fato. A tarifa de água e esgoto nos municípios que atende chega a ser, do ponto de vista financeiro, inescrupulosa, comparada à qualidade do serviço prestado. Outro fato.
A empresa registra um lucro líquido de algo próximo a R$ 100 milhões anuais. Qual empresa no país de taxa de Selic 5,5% (e juros bancários na casa dos três dígitos) e inflação anual de 4% tem lucro semelhante?
Atendendo 20% da população do Estado, tem obtido um lucro líquido maior que o da Energisa que atende 100% do Tocantins (receita líquida da ordem de algo em torno de R$ 80 milhões/ano).
Os deputados ameaçaram-na na semana passada com uma audiência pública. Na Câmara já se teve eventos do tipo aos montes e processos pululam na Justiça. A empresa continua com seu serviço de quinta e preços mais que de primeira.
Tudo indica que haveria panos quentes e dedos leves. Em Palmas, por exemplo, a empresa está desde a Administração Amastha irregular. Concessão não autorizada pela Câmara. Mas tudo fica como está.
Por outro lado, até hoje não se investigou a venda da Saneatins (aprovada pelo Legislativo) para a Odebrecht (que já tinha parte dos imóveis da cidade de Palmas). Uma entrega de patrimônio sem licitação e contra as normas da Comissão de Valores Mobiliários. A empresa Saneatins saiu do governo e não se sabe onde o dinheiro entrou.
A BRK, desta forma, segue o moto-contínuo daquilo que a pariu. Sabe que a cada dois anos seus cofres tem encontro com os políticos candidatos, em meio ao desencontro perene com a qualidade do serviço que presta à população e aos preços extorsivos que cobra do consumidor.
Afinal, faz parte da equação de sua permanência, cobrar do consumidor o pedágio eleitoral e isto se faz cobrando mais e entregando menos.


