O cúmulo do populismo, falta de bom senso e descompromisso. O prefeito de Porto Nacional, Joaquim Maia, postou ontem foto com o maranhense Manoel Gomes. Aquele da Caneta Azul que só vim a saber, também ontem, que virou cantor depois que um vídeo com um negócio de Caneta Azul viralizou nas redes.
Maia tem feito um belo trabalho em Porto, tem origem numa família culta (é sobrinho do ex-senador e professor de Lógica/meu professor de lógica no Direito da UFGo e latim, Antônio Luis Maia), tinha uma tia professora de canto orfeônico (que me deu aulas de canto no ginásio no Estadual). Mas parece estar sendo mordido pela mosca eleitoral com um ano de antecedência.
Joaquim levou o Caneta Azul para o evento patrocinado com recursos públicos municipais denominado 1ª Semana Municipal da Juventude. Evidente que, consideradas a gramática, a semântica e a profundidade musical de Caneta Azul, Joaquim Maia além de jogar dinheiro público fora, substituiu os referenciais que Mestre Adelino (na música) e de padres e freiras franciscanos e dominicanos (na língua) a um "vírus" que pede que quem achou a tal caneta "vem entregá ela". Sai o latim e o francês e entra o estupidez rasa das redes.
Maia tem direito de fazer o que quiser com o dinheiro dele, mas não pode mudar o paradigma da educação que é o que ele aponta com a escolha. E que, aliás, fez de Porto antes da criação do Estado como a Capital da Cultura do Norte goiano. Cidade referencial em educação onde as pessoas aprendiam o Português, com suas origens latinas. E de quebra, tinham aulas curriculares de francês e canto orfeônico.
O cavalo de pau de Maia, tudo indica, se presta a agrupar supostos possíveis eleitores analfabetos, tanto do ponto de vista funcional como culturalmente considerando, como sugere a horda das redes que transformou um excremento musical e gramatical desses em "sucesso".
E antes que refutem: isto não tem nada a ver com a condição social do Caneta Azul (que evidentemente agora deve ter sido modificada) mas com a precariedade de seu "produto musical". E a irresponsabilidade da escolha do gestor público com o referencial que apresenta ao que considera juventude.
Uma juventude, pelo visto , que, impulsionada por ações do gênero, se se pudesse conceder sentido filosófico a idéia e ideado, sujeito e objetos colocados, nem transviada conseguiria projetar-se que dirá materializar-se como destinatário e destino.


