A crise da coleta de lixo na Capital nos últimos dias reforça a percepção do prefeito eleito Eduardo Siqueira de separar administração de planejamento.
Hoje as duas pastas são fundidas numa só e comandadas pela secretária Mila Jaber. É a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Humano.
A Secretária, desde praticamente o início da gestão Cínthia Ribeiro, tem sido a mão que balança o berço na prefeitura. Uma espécie de controladora geral. É do seu perfil ser centralizadora.
Ainda que certo modo favoreça a gestão, é expediente que pode levar também a divergências e dissidências por escolhas discricionárias mais políticas do que técnicas. É o risco.
Os empresários da coleta de lixo, por exemplo, reclamam que desde setembro não recebem pagamento. Vai para quatro meses. Como produzem serviços, devem ter entrado em empréstimos para pagar empregados.
Tudo indica que a prefeitura pague os empresários nesta segunda. O contribuinte, entretanto, pode conviver ainda neste início de semana com o lixo acumulado na porta de sua casa.
Ora, se as despesas com coleta de lixo são planejadas com antecedência (contratos com valores pre-fixados e empenhados antecipadamente) e a Prefeitura até dias atrás registrava superávit, não haveria razões aparentes para atraso em serviço essencial para a população.
A situação induz a outra questão: a preocupação da Secretaria neste final de ano pode desviar-se prioritariamente para o pagamento da folha de salários (mais 13°) e outros fornecedores,à vontade política da Secretaria.
E aí a centralização obrigaria a uma priorização de pagamentos que a inércia da burocracia escolheria efetuar.
Tudo que uma prefeita em final de mandato, com uma administração perfeita do ponto de vista fiscal, não desejaria ser lembrada.



