O ex-senador Ataídes de Oliveira necessita calibrar sua artilharia. Tem feito uso na folia (e nas redes sociais), voluntária ou involuntariamente, de retórica não raro “alternativa”.
O ex-senador foi às redes ondem – no que ele considera denúncia - que o blog teria informado que o governo teria ultrapassado os 60% do limite da LRF no ano passado.
Data-vênia a credibilidade que o ex-senador dedica ao blog, expediente igual não se pode conceder à sua distorção das publicações. Induzindo o eleitor/leitor ao erro.
E nestes 17 anos do blog não tenho compromisso com erros. Meu compromisso é com uma análise sobre fatos verdadeiros. Se involuntariamente cometo erro, busco repará-lo.
O ex-senador tem uma trajetória política relevante. Foi um senador respeitado e surpreendeu muita gente. Sua preocupação com os números fiscais é positiva. Mas para ter validade, a leitura deveria merecer maior atenção no esquadrinhamento..
A informação do ex-senador não é verdadeira. Pelo contrário, o blog (fundado no Diário Oficial e na Secretaria do Tesouro Nacional) apontou (no dia 14 de fevereiro) o contrário.
O governo fechou 2025 consumindo (todos os poderes) 52,53% das receitas correntes líquidas com salários. O limite máximo é 60%.
Só o Executivo fechou com 44,31% (o máximo é 49%).
O governo tem equívocos, sim. E não são poucos. As regras fiscais foram afrouxadas. Pode-se discutir também prioridades para o emprego do crescimento das receitas, mas não está desenquadrado na LRF.
Não gastou mais que o permitido pela lei no comprometimento de despesas de salários/receita corrente líquida.
Aliás, o governo Wanderlei vai melhor do que o governo que integrou o ex-senador Ataídes de Oliveira, eleito na chapa de Siqueira Campos (como suplente do senador João Ribeiro).
Siqueira/Sandoval entregaram em 2014 a Marcelo Miranda um governo que consumia 60,78% (consolidado) e 50,93% (Executivo). Desenquadrado. E não se viu Ataídes o denunciando.
Em 2018, quando Ataídes tentou a reeleição na chapa do MDB (de Marcelo Miranda), o governo – de Marcelo Miranda - foi entregue a Mauro Carlesse com 65,81% (consolidado) e 57,89% (Executivo). Também desenquadrados. E Ataídes não fez nada.
Wanderlei recebeu de Mauro Carlesse (2021) com 40,31%/48,85% (Executivo/Consolidado). Reduziu para 39,35%/47,18% (2022), 44,87%/52,93% (2023), 46,32%/54,06% (2024) e, agora, 44,31%/52,53% (2025).
Muito abaixo do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. E Ataídes faz denúncia, agora, na pré-campanha, de desenquadramento.
Pode ter seu projeto de governo ser escrutinado com a mesma régua com que fez uso das publicações do blog.


