A campanha começou oficialmente repetindo o viço do vício. Senão vejamos, tomando as três principais candidaturas:
Lula (PT) tem dois palanques no Estado: o de Laurez (coligação PDT / PSB / PSD/ PT/PC do B/PV) e o da ex-senadora Kátia Abreu. Se convergem para Lula, são, agora, politicamente divergentes.
Flávio Bolsonaro (PL) teria escolhido o palanque da senadora Dorinha Seabra (UB). Vicentinho Jr (PSDB) segue como os tucanos (esperando no que vai dar). Ainda que direitista convicto.
E Ronaldo Caiado (PSD) tem uma coordenação de campanha dentro do partido (PSD de Laurez) no Estado.
Ou seja: o PSD (de Laurez) conviveria com dois rachas na sua coligação ao governo: um do PT e outro na própria legenda.
Dorinha e Caiado (UB e PSD) são de partidos que integram o centrão (PP, UB, Republicanos, Podemos, MDB e o PSD).
Partidos – que se declararam equidistantes para presidente – mas que já estariam fazendo pontes com Lula, como aponta o Metrópoles desta terça. E isto gera consequências regionais.
Negá-lo é hipocrisia das grossas. Tem o fundo eleitoral para ficar só nele. Mas também a perspectiva de poder que os move.
Os cargos indicados por Dorinha no governo Lula III – herdou os lugares do PL do governo Bolsonaro – fazem-na silenciar-se.
Tem Eduardo Gomes (mais que aliado, amigo dos Bolsonaros) como o megafone bolsonarista. É o que conta e a alivia.
E ela segue como uma doce freirinha no lupanar: ora é Lula, noutra Bolsonaro. Mas só no confessionário e conforme o confessor.
Um ponto: na campanha propriamente dita e na propaganda eleitoral, candidato de um partido ou coligação não pode pedir votos para candidato ou partido de outra coligação.
É uma proibição legal que termina dando aos arranjos partidários e de candidatos a natureza de mais um golpe no eleitor.
Mais não bastasse, o sistema representativo não existe sem partidos e partidos são formados por partidários de um programa.
Misturar esquerda com direita sem fundamentar os motivos republicanos é um golpe. Se contar com três partidos ou mais é formação de quadrilha.
Uma "quadrilha democrática", diria o descarado incorrigível.


