A decisão da senadora Dorinha Seabra de assumir que será, no governo, a continuidade do atual Wanderlei Barbosa, tem obrigado os marqueteiros a malabarismos retóricos incontornáveis.
Demonstrar a validade da proposição do continuísmo (como já vem sendo processando nas redes sociais e discursos). Diante de tudo que "esteve" ´por aí e a trajetória política de ambos.
E com premissas que não se conformam num silogismo categórico. Premissas falsas, afinal, não levam a conclusões verdadeiras.
Fazer o eleitor acreditar que ambos tem sintonia política na forma de ver a administração pública não é um simples desafio, mas enfrentamento lógico.
E mais: dar ao governo Wanderlei referencial a ser copiado e seguido em determinados setores expira inconsequência da pressa despreocupada das percepções dela consequentes.
Daí, a horizontalidade e profundidade da divulgação de campanha ontem de que Dorinha asseguraria a execução de um programa permanente de pavimentação e conservação.
Para fortalecer a idéia (boa) do continuísmo e reforça-la, a candidata aponta os números da administração atual.
Mas vai buscá-los, não se sabe por quê, há três anos: em 2024 o Tocantins teria investido mais de R$ 600 milhões em obras rodoviárias.
Ora, em 2024 (portal das transparências desta segunda) o governo (Ageto) investiu em obras e instalações (empenhado) R$ 534 milhões. Isto equivale a 3,0 % de todas as despesas empenhadas naquele ano (R$ 17,7 bilhões).
Se considerarmos todos os investimentos, naquele ano, o governo empenhou somente 68% da previsão orçamentária.
O desempenho ruim se repetiu em 2025. O governo gastou em obras menos ainda: R$ 462 milhões. Cerca de 2,6% das despesas empenhadas no ano (R$ 17,6 bilhões). E investiu só 57% do previsto no orçamento.
Em 2026, a inércia segue com igual aceleração. E, pela proposta de Dorinha, deve continuar num eventual governo.
Para termos de comparação: o governo de Goiás gasta com investimento, em média, 13% do orçamento.
Relatório Fiscal dos Estados (Comsefaz) – publicado na semana passada – mostra que, no Tocantins, a média de investimentos (obras e serviços) situou-se em 1% da receita corrente líquida de 2019 a 2025. Só maior que o 0% de Roraima.
Mas aumentou sua dívida, regra geral, pretextando investimentos em infraestrutura:
A dívida consolidada do governo registrou um aumento de R$ 1,320 bilhões no quadrimestre de 2026 (27,5%).
Saltou de R$ 4,793 bilhões (dez/25) para R$ 6,113 bilhões (abril/26).
Continuar o quê?


