O PT não elegeu deputado estadual, federal, senador ou governador no Estado nas eleições do ano passado, mas o presidente da Executiva, deputado não reeleito Zé Roberto, segue, paradoxalmente, com a bola toda: nos bastidores teria direito à indicação do titular da Secretaria da Pesca e ainda da Superintendência do Incra (cargo federal).
Tanto a Secretaria da Pesca quanto dos Povos Originários teria tido, conforme petistas, a participação de Zé Roberto. O PT pode ter ainda a deputada Amália Santana (não reeleita) ocupando um cargo na administração de Wanderlei Barbosa.
Amália e Zé Santana (irmão e ex-prefeito de Colinas) tem agora maioria na corrente antes dominada por Donizetti Nogueira e do ex-deputado federal Célio Moura, antípoda de Zé Roberto. E teriam aderido, nos cargos, à corrente contrária na legenda.
De outro modo: o PT que teve uma chapa majoritária e proporcional em oposição à chapa bolsonarista de Wanderlei Barbosa, estaria sendo entregue ao governo pela direção petista, aprofundando o fosso que tem separado a Executiva petista e a militância. Isto a dois anos da sucessão municipal quando os candidatos petistas disputarão os cargos com os governistas.
Quer um exemplo: o PT hoje tem apenas um prefeito, Zé Salomão, em Dianópolis. Não é implausível, certamente, que o governo tenha no secretário de Turismo, Hercy Filho, o seu candidato a prefeito na cidade. Hercy já foi chefe do executivo dianopolino, tem livre trânsito com as correntes políticas locais, ganhou musculatura no Ministério do Turismo e tem feito um trabalho reconhecidamente competente na Secretaria de Turismo do Estado.
Há outros exemplos neste PT de Zé Roberto. O partido já teve, simultaneamente, prefeitos dentre as 10 maiores cidades do Estado: Raul Filho (Palmas), Paulo Mourão (Porto Nacional), Zé Santana (Colinas) e Zé Salomão (Dianópolis) quando era oposição ao governo estadual e tinha um petista na presidência.
Com a aderência ao governo do Estado, de ideologia conservadora, o PT de Zé Roberto parece flertar com o isolamento da Executiva com a militância. Zé Roberto não pode mais se reeleger na presidência do partido no PED (Programa de Eleições Diretas) previsto para este ano, com validade dois anos.
Mas aí, o buraco já estará feito.


