Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Werther redivivo pelo mal. Meu artigo desta quarta no Jornal do Tocantins

luizarmandocosta 22/04/2020 379 visualizações

As cidades, o Estado e o país experimentam em dias sombrios de pandemia o estrilar de forças antagônicas. Desfilam argumentos e retóricas políticas que, sem refutar a verdade científica colocada, combinam insensatez e arbítrio. Explosivo.

Não há como não enxergar no jovem Werther (de Goethe) – no Século 18 – expressão antecipada dos tempos atuais. "A natureza não encontra nenhuma saída desse labirinto de forças intrincadas e antagônicas, e o homem tem de morrer", desabafava o jovem em seu sofrimento interior que transformou-se num clássico universal, ultrapassando os limites da Alemanha oitocentista.

A pergunta é: porque o homem teria que morrer se poderia prolongar sua vida? Werther (o personagem e o autor) foram acusados pela igreja de levarem muitos jovens ao suicídio por emoções mais do coração que de outros males. Numa época em que a igreja era o próprio Estado.

Hoje observamos o contrário: outros males negligenciados por vontades do coração implicariam na mesma chegada. Não há correspondência entre não guardar o distanciamento social por um vírus que não tem vacina e crenças ideológicas.

Digo crenças por que passageiras na medida em que o homem retroage ou avança, dependendo do ponto de partida. Ora se acredita num projeto, noutras, em filosofia diversa.

A morte, entretanto, é inexorável. Vai acontecer, só não sabemos o dia. Ainda que pudéssemos abreviar a vida à nossa vontade (e antecipar a morte), não teríamos poder sobre elas

Leia mais:https://www.jornaldotocantins.com.br/editorias/opiniao/tend%C3%AAncias-e-ideias-1.1694943/werther-redivivo-pelo-mal-1.2039416

 

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