Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Wanderlei surfa nos números do desemprego e economia. Ainda que taxa de desocupação seja a menor em 12 anos, discurso do governador em Araguaína destoa do IBGE

02/03/2024 934 visualizações

O governador Wanderlei Barbosa tem razões políticas e econômicas para considerar como ativo o crescimento do PIB estadual, como o fez ontem em Araguaína a empresários da segunda maior economia do Estado. A economia regional cresceu mais que os 2,9% do país em 2023.

Pode inclusive creditar o desempenho do agronegócio (que puxou o PIB no ano passado) às medidas do Executivo. Afinal, há em vigor 65 termos de benefícios (Tare) para isenções e desoneração com os empresários do agro.

Em todos os setores da economia, o governo aplica alíquota zero ou diferenciada em mais 1 mil e 63 segmentos. Dados da Secretaria do Tesouro Nacional (2023) registram uma renúncia de ICMS no Estado de 26,8% da arrecadação. Isto em 2023 equivaleria a R$ 1,344 bilhões (a arrecadação foi de R$ 5,018 bilhões).

Era de se supor que o nível e número de empregos apresentasse o mesmo desempenho econômico. Apesar do Governador ter comemorado a queda do desemprego ontem (e sua assessoria o tivesse impulsionado) a situação não é bem assim.

Wanderlei apontou (na posse da diretoria da Aciara em Araguaína) a queda do desemprego de 17% para 5,8%. Na verdade, estes números dizem respeito a desocupados. E se assemelham ao divulgado pelo estudo do BB divulgado pela Veja dias atrás (de 15% para 5,8%).

Na PNAD contínua do IBGE (out/nov/dez/23) o Estado fechou o ano  com os 5,8% verbalizados ontem pelo Chefe do Executivo. Mas o referencial de 2022 é outro: 7,6%. E não os 17% do discurso.

Ou seja, a queda da desocupação (e não do desemprego) teria sido muito menor. Ainda que relevante considerados os 14,2% de desocupados em 2021, quando Wanderlei assumiu o governo. É, ademais, o menor índice de 2012 a 2023.

Apesar da mão de obra ocupada passar (dez/2022) de 753 mil pessoas (acima de 15 anos) para 758 mil pessoas (dez/2023), de um total de 1,277 milhão de pessoas na população economicamente ativa (menor do que os 1,279  milhões de dez/22), o número de pessoas fora da força de trabalho situa-se (conforme a PNAD/23) em 472 mil tocantinenses. Um exército muito maior do que os 46 mil considerados desocupados (que estariam sem ocupação).

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