O governador Wanderlei Barbosa renomeou na noite de ontem Hercy Filho para secretário de Cultura e Turismo. A nova designação já era desenhada considerando as reuniões do Secretário em Brasília (DF) terça e quarta no Ministério do Turismo e no Ministério da Cultura. Isto quando era, oficialmente, um não-secretário posto haver sido demitido na segunda e não readmitido na terça.
Hercy exerceu o cargo de ministro substituto do Turismo por sete anos e assumiu o Ministério por meia dúzia de vezes. Uma ponte e tanto do Palácio Araguaia nos projetos do governo Lula pelo conhecimento dos sistemas internos do Turismo e especialmente das pessoas que impulsionam a burocracia do órgão. Fez um trabalho reconhecido no Ministério como o faz por aqui, goste-se ou não dele.
Pode-se deduzir, com razoável margem de acerto, que a reação imponderável (por falta de ação correspondente a opor-se) de setores pontuais da cultura na semana passada contra o Secretário tenha despertado sinal de alerta em Wanderlei sobre desmembrar, em tais circunstâncias, as funções da pasta sem sugerir que seu governo estivesse refém de uma militância cultural. Fosse diferente, o governo para desmembrar bastaria editar uma Medida Provisória que não encontraria resistência no Legislativo.
Como que farejando cheiro de queimado no movimento, duas entidades fizeram circular na segunda e terça notas acerca de artigo neste blog (publicado no domingo) tentando explicar as manifestações.
Notas que fiz questão de não publicar. Não por obstáculo à contrariedade de opinião, mas em respeito à coerência do próprio setor que esparramou nas redes sociais ser o blog um fake-news comprado pelo governo.
E obviamente, fake-news não exigiria nota de resposta sem denunciar incoerência do incomodado com as críticas. E não seria eu a apontar o não-raciocínio da turma.
Se a régua fosse fake-news, bem ao estilo Carluxo como se posicionaram nas redes, os manifestantes ignorariam não só a lógica e a razão, mas também a defesa que faço do setor, não só neste governo e prefeitura, como disponível no portual.
Ou no programa de TV que dedico semanalmente a fazedores culturais. E as próprias críticas de segmentos culturais diversos que também não aderiram às críticas do grupo.
Com efeito, as discussões para a separação de Cultura e Turismo já encontravam-se adiantadas (tanto política como administrativamente) e tinham certo respaldo no espectro do governo federal de valorização dos dois ministérios do setor: da Cultura e do Turismo. E Wanderlei, pragmaticamente, tem seguido por facilitar a captação de recursos.
Pode sair ainda? Pode. É necessário e producente para o turismo e cultura que tenham orçamentos e comandos próprios. Os dois setores podem se constituir, em curto prazo, decorrente do potencial latente, numa das maiores fontes de riqueza do Estado.
Wanderlei, pelo jeito, aderiu ao surrado “devagar com o andor que o santo é de barro”.


