Definidas as peças do jogo da sucessão estadual, é introduzido na disputa um novo expediente: a sensação como elemento de conhecimento.
É o papel que mais próximo exercem as pesquisas de intenções de votou que buscam demonstrar que um conjunto de qualidades seja apreendido como figura sobre um fundo.
Percepção que nem sempre é captada pelos institutos. Mas digerida, ao modo, pelos interessados.
Já há, por alguns deles, definições identificadas quando a campanha eleitoral propriamente dita não começou.
Seriam, no entanto, já identitárias as supostas intenções que, como o próprio nome, representariam apenas intenções no plano mental que motivariam circunstancialmente uma ação. Daqui a cinco meses.
Em Goiânia (GO) nas décadas de 70/80 havia um vereador (de direita) de nome José Borges.
Com dois anos de antecedência das eleições, ele tascava out-door nas ruas do Setor Palmito e Jardim Novo Mundo: Bom para tal ano. Com sua foto estampada.
Decorridas quatro décadas, a estratégia política é a mesma.Só que de modo diferente.
No caso das pesquisas, se impulsionam a militância, carregam também o já ganhou que nenhum marqueteiro desejaria para seu candidato.
No Estado, o governador Wanderlei Barbosa – superados os conflitos internos – começa a puxar o cordão.
E pode fazer um arrastão. Ou seja, o fundo sobrepondo-se sobre a figura.
Os governisas encontraram um discurso e tem elementos para defendê-lo: a continuidade do governo seria melhor para a população porque não causaria solução de continuidade nas ações de caráter público.
E que a não renúncia de Wanderlei seria compromisso com o eleitor que o elegeu para governar quatro anos. Diferente de governadores que o antecederam.
Respeito conta no povão que não é dado a valorar minudências. O eleitor não quer saber de agenda fiscal e não liga a fila na saúde ao candidato.
A tese tem sentido – contrariamente ao que prega a oposição – pois governador nenhum desejaria entregar um governo “desbragatado” a um aliado.
Ainda mais dele necessitando para projetos futuros. E aí um dos desafios da oposição: buscar nova linha de combate e um discurso mais denso e substancioso em outros flancos governistas.
Isto porque o continuismo, visto às avessas, é um discurso que pode encontrar respaldo nos municípios. Mais pragmático que ideológico.
Os prefeitos do Estado tiveram para suas administrações em quatro anos de Wanderlei repasses de R$ 6,9 bilhões.
É quase o dobro dos R$ 3,8 bilhões repassados pelo seu antecessor no mesmo período. Dinheiro na veia dos prefeitos.
Já em investimentos (obras), Wanderlei empenhou em quatro anos a soma de R$ 5,3 bilhões. Seu antecessor, no mesmo período, apenas R$ 2 bilhões. Mais que o dobro.
Os prefeitos – maiores cabos eleitorais nas cidades e referendados nas urnas há menos de dois anos – teriam, portanto, mais razões para defenderem o continuísmo criticado do que para rejeitá-lo.
Isto aí casaria com a aprovação popular de Wanderlei na casa dos 70%. Em final de segundo mandato, não é pouco.
Dito isto: há, por enquanto, apenas um fundo. E figuras sobre ele tentando mostrar seus contornos e bordas.



