Sábado, 24 de Out de 2026

Wanderlei pode ser curraleiro mas não é burro. Evangélicos bolsonaristas cobrando apoio do Governador é o cúmulo do despudor. Mesmo descascado por bolsonaristas, Governador venceu candidato do PL,fez 75% dos deputados e dobro dos votos dos liberais!!

13/10/2022 1313 visualizações

O comício/culto do Partido Liberal/Igreja Evangélica ontem no Centro de Convenções da Capital com a presença da primeira dama Michele Bolsonaro, sublinha os problemas do partido (e dos crentes) para alterar os resultados do primeiro turno de Jair Bolsonaro no Estado: 50,40% a 44% pró-Lula.

Primeiro que a legislação proíbe eventos de campanha eleitoral em prédios públicos, exceção feita apenas a convenções. Dá improbidade administrativa também. E o que se viu ontem: um comício eleitoral com discursos pedindo votos, jingles, bandeiras do PL e um público entoando “cânticos” pelo Capitão do Povo. Liderados por dois pastores evangélicos eleitos deputados federais.

A Prefeitura pode ter sido enganada na autorização para o evento? Pode! Mas a razão determina que um evento que se sabe antecipadamente terá a presença da primeira dama, cujo marido é candidato à reeleição e não tem limites de qualquer espécie, entre um turno e outro das eleições, não seria de outra natureza e finalidade. Assunto para o Ministério Público Federal e Eleitoral.

Agora, o comício/culto mostrou fragilidades políticas que as urnas já haveriam de ter revelado. O PL de Jair Bolsonaro (Eduardo Gomes/Ronaldo Dimas/Tiago Dimas) saiu das urnas com dois deputados federais e apenas 90 mil votos. Dois deputados federais terrivelmente evangélicos: Filipe Martins e Eli Borges.

O arco de alianças do governador Wanderlei Barbosa (reeleito no primeiro turno contra a campanha de Jair Bolsonaro com 58,14% contra 22% do candidato do PL) mandou para a Câmara dos Deputados seis parlamentares (católicos) com os 377 mil votos que obteve dos 797 mil votos dados a deputados federais no Estado. Só o Republicanos, legenda do Governador, fez três deputados federais (184 mil votos).

Vem daí a gênese do coro ensaiado e determinado que os evangélicos entoaram ontem de “Cadê você, governador” (materializando a musculatura política dos bolsonaristas), cobrando a presença de Wanderlei num grupo onde ele já não mais estava não por opção, mas por falta dela. Uma estultice e que sugeriria o governador ser devedor quando, de fato, ele seria credor cabendo ao PL e Jair Bolsonaro débito e não crédito. 

A movimentação empurraria o raciocínio de que as lideranças bolsonaristas ou teriam receio de pedir apoio a Wanderlei ou já tivessem sinais de que o Governador não subirá no palanque de Jair Bolsonaro que não subiu no seu no primeiro turno.

E aí restaria ao grupo PL o uso do rebanho evangélico que, insuflada por seus pastores políticos não viu nada demais em transformar a religião e fé em instrumento de pressão político-partidária. No caso, Deus já teria optado por Jair e não seria mais o Deus que a todos acolhe. Só aos bolsonaristas. Campo em que Wanderlei, não aparecendo no rebanho, seria condenado ao fogo do inferno, ao martírio dos ímpios

Wanderlei que já havia sido excluído do rebanho do Capitão por ele próprio e o PL (do qual é filiado o presidente candidato) numa disputa onde haveriam pelo menos três candidatos da base bolsonarista que exigiria prudência tanto do PL quando do candidato a presidente, na equidistância, afinal todos de um mesmo lado. Desnecessário assim realçar o despudor da cobrança após o PL passar 60 dias descascando o “aliado” que agora quer levar para a cama.

E para finalizar: que ganho teria Wanderlei ao apoiar Jair Bolsonaro e o PL? Nenhum!!! A eleição ainda está em curso e Jair não liga para essa de conversa com governador, estão aí os quatro anos em que não reuniu os chefes dos Executivos estaduais e municipais.

Aliás, Wanderlei já era governador candidato à reeleição (pelo Republicanos da base de Jair) e Jair Bolsonaro optou por Ronaldo Dimas que demorou a degustar, só o fazendo, intui-se, pela vontade política do seu líder no Congresso, senador Eduardo Gomes. Por que seria diferente  numa reeleição de Bolsonaro, é algo difícil de se demonstrar.

Ademais, se Jair Bolsonaro conseguir reeleger-se, suas lideranças no Estado continuarão as mesmas: Eduardo Gomes e Ronaldo Dimas, reduzindo as chances do projeto político de Wanderlei que, a priori, é conflitante com o do senador Eduardo Gomes. Muito comprovado na liderança políticas que saiu das urnas a Wanderlei que, agora, tem o seu próprio grupo. E majoritário do ponto de vista eleitoral que é o que interessa na política onde a maioria é que determina.

Se Bolsonaro for derrotado, Eduardo Gomes (presidente regional do PL) continuará sendo a ponta de lança da oposição ao governo Lula no Estado. E Wanderlei assumindo o papel de coadjuvante, tanto numa eventual vitória de Lula ou Bolsonaro.

Wanderlei pode ser curraleiro, mas não é burro. A falta de conhecimento é que faz os bolsonaristas confundirem burrice com curraleirice. Esse é apenas um dos males do pensamento bolsonarista profundo.

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