As recaídas do governador interino Wanderlei Barbosa, como é lógico, depõem contra seu governo. Esse negócio de mandar projeto de lei para o Legislativo extinguindo segurança para ex-governadores é o ó do borogodó do populismo. E pior é que encontra ressonância em determinados setores.
É uma falácia tanto na justificativa quanto na finalidade. Ora, argumentar a necessidade de mais policiais nas ruas contradiz com os mais de 600 PMs em desvio de função no governo sem serem incomodados pelo próprio Wanderlei. Contra a meia dúzia à disposição da segurança de ex-governadores.
A impresão que se tem é que não há problemas no Estado, o TCE não está querendo aumentar gastos com pessoal e a Justiça não anda acossando o governo a atender pacientes na rede publica.
E que setores do governo não se encontrem batendo cabeça. Imagina, a Administração decidiu auditar os contratos do Plan-Saúde assinados pelo mesmo secretário no governo afastado. Um caminhão de problemas. O governo cancelou a concesão do Jalapão mas tem uma comissão estudando como fazer a concessão....titulação e que tais.
Por outro lado, a lei que o governador interino quer eliminar não é uma criação do seu antecessor que sugere a própria cobertura jornalística a partir das declarações do Chefe interino do Executivo.
Há uma lei federal (7474/86) e o decreto presidencial (6381/2008) regulamentando medidas de segurança a ex-presidentes da República, extensivo a governadores por similitude. Lula, Dilma, Collor, FHC todos tem sua segurança bancada pelos cofres públicos.
E qual é o princípio? Presidentes e governadores tomam decisões que beneficiam e prejudicam pessoas estando sujeitos, portanto, a consequências por ações que tomou em cumprimento do poder público e não pessoal.
E por que é uma derrapada? Wanderlei, no cargo de governador interino, não faz questão de disfarçar a intenção voltada para o governador afastado Mauro Carlesse.
Como é obvio, o governador interino não precisaria, nas atuais circunstâncias, movimentar-se neste sentido sem ser escrutinado com a tese de que estaria fazendo uso do cargo para atingir o antecessor.
A verdade é: segurança de governador e presidente não é um casuísmo pessoal, é determinado por lei federal. E a segurança objetivada é, em muito, inferior às disposições de Policiais Militares no Estado.
Ou seja, Wanderlei parece, a cada passo que avança, retroceder outro o que o leva ao mesmo lugar.
E mesmo lugar favorece o retorno de Mauro Carlesse.


