Na política há quase um dogma: nunca nomeie um aliado que não possa demiti-lo do cargo.
O governador Wanderlei Barbosa atravessava o Atlântico e o DO publicava a nomeação de Hiran Gomes, sobrinho do ex-suplente de vereador (e ex-secretário municipal) Hiran Gomes, presidente da Agência de Tecnologia e Informação. Um orçamento de R$ 36,3 milhões (só do tesouro estadual) para 2025. Hiranzinho, como é conhecido,é sobrinho,portanto, do senador Eduardo Gomes.
Hiran vem a ser filho de Luiz Melchiades, irmão do senador Eduardo Gomes (PL) que informou (Eduardo) à população no último final de semana (ver post anterior) que a sua eleição de vice-presidente da mesa diretora do Senado (dia 1° de fevereiro/indicação do PL nacional) “promete ser um dos eventos mais importantes da próxima legislatura”.
O blog confundiu os Hirans: o tio (que é procurador aposentado da Assembléia) e o sobrinho que é filho do Luis Mechiades, outro concursado dos Gomes. Na verdade,como apurou o blog, os nomes iguais não são mera coincidência. Hiranzinho já tinha um cargo na ATI. Assumiu a titularidade.
O senador Eduardo Gomes fora comunicado por Wanderlei ontem mesmo. Mas não teriam conversado sobre implicações políticas. O Hiran, da postagem anterior (o tio), foi suplente de vereador e secretário de Cínthia.
De todo modo, a nomeação, assim, para aquele que raciocinam sobre política, seguiria o fluxo. Eduardo ficaria ainda mais próximo de Wanderlei. E porque isto é relevante: Eduardo não é de descumprir acordos. Vejam Jair Bolsonaro, Ronaldo Dimas, Cínthia Ribeiro....E irmão é irmão.
Os Gomes são uma irmandade tendo como núcleo os pais Zé Gomes/Gilda Gomes. E, no serviço público, à exceção do Senador (eleito), os demais são todos concursados.
Não necessitariam de puxar saco de político algum. A escolha de Hiranzinho (também concursado) é, assim, uma composição politica que serve ao projeto do PL e ao Republicanos. Apesar do incontestável mérito do indicado. E não um penduricalho qualquer.
O cargo de vice-presidente do Senado a ser ocupado por Eduardo Gomes é indiscutivelmente relevante e capaz de turbinar qualquer candidatura em 2026. E com esta envergadura, Eduardo tem disponível duas opções: renovar o mandato por mais oito anos. Ou disputar o governo por quatro e mais quatro.
O X da questão:
- Wanderlei Barbosa disse no ano passado que não é candidato a nada em 2026 quando só pode disputar, para cima, o Senado.
- A intenção, entretanto, contraria as movimentações e gestos pelo Estado e a maximização de sua obra diariamente.
- Isto aí transforma em andor de santo de barro o aparente impulso do governo a uma candidatura de deputado Amélio Cayres III, o Grande (cujo reduto é o Bico/176 mil eleitores/2024/16% do Estado) e que, há três eleições (2022/2018/2014) ele, Amélio, mantém-se na faixa de 22 mil votos. No teto, portanto.
- E pelas declarações de patrimônio,Amélio não tem a mesma estrutura que Carlos Gaguim, Sandoval Cardoso ou Mauro Carlesse que deixaram a presidência do Legislativo para o Executivo. Ponto final. O curral eleitoral dos municípios do entorno de Augustinópolis (parentes prefeitos) apenas pode não ser suficiente.
Se Wanderlei optar pelo pijamão e construir um palanque para Amélio ou decidir-se ele próprio disputar o Senado terá, portanto, a necessidade de apoio como de Eduardo Gomes, que será vice-presidente do Senado. E que Amelio não pode oferecer-lhe.Fundo eleitoral por fundo eleitoral, o do PL é maior do que do União Brasil (Dorinha) ou Republicanos (Wanderlei;Amélio).
Maior do que poderiam oferecer-lhes tambem a senadora Dorinha Seabra e o deputado Carlos Gaguim, mais dois postulantes e que tendem a ser jogados na fritadeira.
Indícios? O Hiran (o tio e ex-secretário de Cínthia) protagonizou um bate-boca público com o deputado Carlos Gaguim na pré-campanha municipal há um ano.
O alvo: Eduardo Gomes que, para Carlos Gaguim, deveria trocar apoio que dava a Cínthia por Janad Valcari.
Discussão pública que os de sempre tentaram negar. Conversei com o Senador à época sobre o assunto que minimizou o problema mas o confirmou.E defendeu o irmão.
Hiran mandou o parlamentar (não com estas palavras) respeitar o Senador.
Carlos Gaguim calou-se e continua sem abrir a boca. E quando ele cala...!!
Já Wanderlei não poderá, sem o risco de perdas políticas e eleitorais, demitir o irmão do Senador até 2026. Ainda que condições e circunstâncias dos Gomes envolvidos subordinassem o viés político das indicações. E não o contrário.


