Secretários de Estado, deputados e aliados de Wanderlei Barbosa (os mesmos que já o eram de Mauro Carlesse) fazem muxoxo quando publico números públicos que descontroem suas narrativas peculiares. Há aqueles que amplificam, para refutar artigos, informação mentirosa de que o blog teria assessoria, sugerindo vieses político-partidário-eleitorais.
Mas eu os entendo nas suas tentativas de dar razão a decisões do “chefe” mesmo quando elas nela não encontrem respaldo. Não vou aqui ensinar que assessorias existem mais para discordar do que para concordar. Mas eles acham que o bom assessor é o que diz amém, reduzindo, por óbvio, paradoxalmente, suas validades dada a inexorabilidade do resultado que tais premissas e condutas proporcionam.
Desde dezembro que aponto a tendência de Wanderlei Barbosa de ligar zero para o equilíbrio fiscal. Deve até passar pela sua cabeça que isto é relevante, mas há evidentemente algo mais premente a fazer para ganhar eleitores como sua práxis está a demonstrar. E mobilizar algo próximo de 50 mil servidores (com suas famílias) não é difícil: o governo (Executivo) fechou 2021 com 40% de gastos com servidores, receita crescendo, então.... Mas é preciso combinar com mais gente.
Pois bem: a arrecadação já sofre com o congelamento da alíquota de combustível, com a redução do IPI, com o imposto único do combustível e, agora, com provável retração da arrecadação pela imotivação dos arrecadadores a partir do tratamento que lhes foi concedido pelo Executivo na PEC do Teto.
E qual é o panorama? O governo de Wanderlei Barbosa (novembro/dezembro/2021-janeiro/fevereiro/2022) registrou despesas totais (nesse quadrimestre) de R$ 3,727 bilhões, sendo R$ 2,391 bilhões com folha de salários. Os números estão no portal das transparências.
Comparando-os com novembro/dezembro/2020-janeiro/fevereiro/2021 (Mauro Carlesse) – IPCA 10,54% no período de 12 meses – Wanderlei teria pago (despesas totais) R$ 652 milhões a mais que Carlesse no quadrimestre (21% a mais/ 10% reais). No período, Carlesse pagou R$ 3,075 bilhões (despesas totais), sendo R$ 1,969 bilhões só com a folha de salários. .
Ou seja, em quatro meses, Wanderlei teria elevado a folha em R$ 451 milhões (R$ 2,391 bilhões contra os R$1,969 bilhões da folha de Carlesse) e as despesas em R$ 652 milhões (R$ 3,727 bilhões cotra os R$ 3,075 bilhões de Carlesse) tendo como parâmetro os dois quadrimestres. E isto considerando que tanto Wanderlei como Carlesse só pagaram 64% da folha.
Conclusão óbvia: a aceleração de gastos de Wanderlei (especialmente no gasto com salários) supera a de Mauro Carlesse. Velocidade que se vê, também, nas despesas totais.


