A opção de Wanderlei Barbosa por Laurez Moreira para vice (oficializada ontem) retira apoios de Ronaldo Dimas e ataca ativos eleitorais do ex-governador Mauro Carlesse. Gurupi é o terceiro maior colégio eleitoral do Estado.
Laurez desde 2019 articulava-se com o ex-prefeito de Araguaína e o senador Eduardo Gomes para montagem de um grupo oposicionista para disputar o Palácio Araguaia este ano.
E Mauro Carlesse submeteu-se ao risco de cassação para eleger Josi Nunes contra o candidato Laurez por apenas 3 mil votos de diferença. Após ter sido derrotado para o hoje pedetista por duas eleições consecutivas.
Laurez e Dimas foram às ruas e Eduardo, envolvido com as questões do governo federal no Congresso e confiante na sua musculatura eleitoral, optou por entrar na campanha agora com Dimas praticamente cristalizado como o candidato do PL.
Líder de Jair Bolsonaro no Congresso, num país conflagrado politicamente, Eduardo optou, aparentemente, a afastar-se da vidraça eleitoral da campanha quando os aliados do Presidente serão escrutinados das piores maneiras possíveis (quando não injustificadamente ou imprecisas, como em O Globo desta quinta) , a exemplo do que fazem os bolsonaristas com os adversários políticos.
A chapa palaciana, entretanto, pode submeter-se a perdas maiores caso se confirme o ingresso na senadora Kátia Abreu no grupo de Eduardo Gomes/Dimas. O grupo já tem o MDB.
As urnas de 2022 (a deputada Dorinha é leve e tem trabalho a mostrar, potencial de crescimento) podem dizer o contrário, mas é inequívoco que a senadora Kátia Abreu teria mais votos do que a deputada Dorinha Seabra na sua primeira disputa de cargo majoritário, justamente contra uma senadora de dois mandatos no Senado, ex-ministra da Agricultura e ex-presidente da Confederação que produz um terço do PIB e dos empregos do país.
De outro modo: Laurez, apesar do ativo ao Palácio, pode não compensar a perda de Kátia Abreu por Wanderlei, movida por questões eletivas e afetadas de idiossincrasias circunstanciais.


