O governador Wanderlei Barbosa anuncia nesta terça (as 14h na ATM) a deputada federal Dorinha Seabra como candidata ao Senado na chapa majoritária palaciana.
Wanderlei faz um bom governo e, legalmente, a lei lhe concede prerrogativa de disputar reeleição e a deputada federal Dorinha Seabra tem liderança não só na Câmara dos Deputados mas no União Brasil. E é respeitada pelo setor da educação.
Ambos, entretanto, carregam passivos a saldar no plano político que sugerem não só contradições mas paradoxos cujo entendimento e compreensão, por parte dos eleitores (e dos novos e antigos aliado), deles exigirão empenho e retórica redobrados para afastar deduções e conceitos.
Um deles: se deixaram projetos opostos que diziam acreditar e defender, a seu tempo, por que motivos não se afastariam (e aos projetos prometidos), após a nova aliança, impulsionados por novas vontades individuais como as que os afastaram dos ex-aliados e, como um parte do outro, se uniram ou reuniram na campanha eleitoral.
Dorinha, que até dias atrás andava com o senador Eduardo Gomes segurando Ronaldo Dimas pelas mãos, irá enfrentar, a priori, a senadora Kátia Abreu e o ex-governador Mauro Carlesse. Ambos utilizados pelo projeto de Wanderlei Barbosa.
De Mauro Carlesse, Wanderlei dizia a dois dias do afastamento ser homem de grupo (discurso em Talismã) e que iria onde Mauro Carlesse fosse. Na posse interina no Palácio, disse que não mudaria em nada o governo e que seguiria o projeto de Carlesse.
Afastado Carlesse, Wanderlei abriu portas em Brasília com a senadora Kátia Abreu e o senador Irajá Abreu, oponentes do projeto que elegeu a chapa Carlesse/Wanderlei e o resultado é o que se conhece. Mauro Carlesse seria, agora, o pior governador do Estado e Kátia/Irajá dispensáveis. Obviamente uma escolha política e legitima.
Assumiu o governo anunciando o empresário Joseph Madeira como o secretário mais importante da administração, aliou-se a Eduardo Siqueira naquela carta dois dias antes da votação do impeachment de Mauro Carlesse. Depois disso, Eduardo foi jogado aos leões onde lá ainda estaria.
Deu recibo para o empresário Tabocão no cargo de vice-governador e agora cozinha o ex-prefeito Laurez Moreira. Como se nota, não é um histórico de fácil manejo que pode influenciar no ânimo e cuidado do grupo de Dorinha Seabra.
A deputada que terá outras batalhas: primeiro, convencer os educadores, pais e alunos de que Wanderlei seria o melhor para a educação, ainda que até agora a deputada estivesse em lado oposto e, portanto, com projetos diversos e divergentes. E segundo, atirar para trás assumindo que o projeto que até então integrava e defendia não seria a melhor opção.
De outro modo: não seria ela própira a melhor escolha posto que ela mesmo se contrariava aparentemente sem motivos que não eleitorais. Mas quem tem a palavra é a sua excelência o eleitor. Se achar que Wanderlei vai bem no Estado, estaria tudo certo.


