Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Wanderlei e Eduardo Gomes assumem bolsonarismo: o primeiro não vai ao Democracia Inabalável enquanto o segundo a condena, relativizando, cada um a seu modo, quando o negam, o regime democrático no país que o eleitor disse não nas eleições

09/01/2024 1000 visualizações

Duas notas negativas e reveladoras de ontem: a ausência, como prega a imprensa nacional, do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) no ato Democracia Inabalável no STF e no Congresso.

E a assinatura do senador Eduardo Gomes (PL) no manifesto contra o ato Democracia Inabalável.

São dois possíveis integrantes de uma eventual chapa majoritária em 2026 para as duas vagas de senador na disputa daqui a três anos. Eduardo tem, ainda, outra possibilidade não disponível a Wanderlei: o cargo de governador.

Entendo, por mero exercício argumentativo lógico e político, que a maioria dos eleitores (51,36%) que votou em Lula no Estado o tivesse feito em resistência ao anti-projeto de democracia de Jair Bolsonaro (48,64%). O Mito da turma. Um processo eleitoral bi-polarizado. Tal o que se avizinha em 2024.

Do ponto de vista institucional, os eleitos representam a todos, indiferente do voto a favor ou contra. Passada a eleição, não representam mais só seus partidos ou ideologias. Especialmente nos cargos majoritários, tem o macro como referencial. E não o micro das eleições proporcionais.

Nas democracias, quem tem mais voto é o vencedor.Caberia ao derrotado respeitá-lo e ao processo para demonstrar respeito a algo maior: a soberania do voto de cada cidadão. O que estaria em jogo não são partidos ou eleições. Mas a possibilidade ou impossibilidade de suas existências.

O 8 de janeiro mostrou justamente o contrário depois de quase quatro décadas de regime democrático no país sob estas regras civilizatórias que sucederam três décadas de ditadura e tirania no Brasil. Um vandalismo medieval  como ferramenta de desestabilização para um golpe militar.

Os bolsonaristas não fizeram questão de disfarçar seu planejamento e execução. As etapas foram publicitadas na medida em que se avançava na estratégia no quadriênio.Tão público como sem resistência de um Congresso cooptado por verbas liberadas a rodo sem transparência.

Wanderlei, no entanto, foi  um dos onze (de 27 governadores do país) que preferiram ficar em casa e Eduardo na lista de 30 signatários (de 81 senadores) que foram contra o ato histórico.

A assessoria do Governador divulgou ontem às 17h (após o Democracia Inabalável) que Wanderlei estaria em casa em repouso sob recomendação médica. Indiretamente estaria justificando a ausência

Não se duvida do estado de saúde, mas gripe não altera agenda de político e, no caso, o governo sequer a justificou (a gripe) como causa da não presença em Brasília. Ainda mais de um político com o perfil conhecido de Wanderlei Barbosa. 

No que terminou realçando uma estratégia pela metade e, óbvio, a importância que o Governo do Estado (e o político governador) daria ao ato Democracia Inabalável ao ignorar-lhe e sua relevância para a democracia no país. Poderia ter dito: não fui por recomendação médica, mas defendo a democracia. Ou mandasse um representante.

Ambos teriam suas inclinações políticas. Mas que em absoluto se harmonizariam com busca de democracia (e o expõem com a negação de ontem) que Jair Bolsonaro (do qual parecem ainda defender após a barbárie do 8 de janeiro) tentou solapar por quatro anos.

Bolsonaro hoje inelegível e com risco de ser preso por suas próprias ações. E não da sua oposição.

Seria irrazoável pensar diferente tomados intenções e gestos de ambos. Ainda mais com as justificativas diversionistas que se tem conhecimento.

Apresenta-se, afinal, risível, em condições de bom senso, razoabilidade e boa fé, comparar a reação da Justiça a uma manifestação contra uma privatização no governo de São Paulo com as punições a um ato nacional elaborado em quatro anos para a derrubada da democracia e ascensão de uma ditadura militar.

Ou a rídicula argumentação de que a intentona de 8 de janeiro de 2023 fosse uma armação do PT e de Lula. Ou seja, o presidente eleito, num processo eleitoral polarizado, com uma semana de governo, tramando um golpe contra seu próprio governo.

Dando um cavalo de pau e negando, em menos de dez dias, o projeto que colocou para opor-se justamente à intervenção militar no país que provocaria, indubitavelmente, uma ruptura institucional.

E, considerado comunista pelos militares, Lula teria obtido o apoio do Exército (que ocupou cerca de 3 mil cargos em 70 órgãos no governo Bolsonaro) para este auto-golpe. Uma subestimação do cérebro do brasileiro comum. 

Com efeito, o ato de ontem não era uma celebração apenas da oposição. Mas do país. Reuniu a Suprema Corte, o Congresso e o Palácio do Planalto. Negá-lo seria, sem dúvida, não aceitar sua essência: um ponto marcado para que não se o esqueça com vista a não repetir-se.

Um ato pró-democracia. A mesma que possibilita a eleição dos deputados, senadores e governadores.

Isto levaria sua negação, à negação da própria democracia e, por conseguinte, da legitimidade dos mandatos eletivos.

É neste enquadro que se acomodam Wanderlei Barbosa e Eduardo Gomes. Repetem no ano eleitoral municipal o modus operandi político do governo Jair Bolsonaro.

E que se note: enquanto Eduardo mantém-se no mesmo lugar, Wanderlei retrocede ao ponto de onde parecia ter saído. Uma voz (interior ou exterior) teria falado mais alto.

Não haveria, com efeito, explicações que não eleitorais para o Governador participar daquele ato dia seguinte ao 8 de janeiro (em 2023) com o presidente Lula, STF e Congresso, e negá-lo ontem. Ou seja: uma visão relativa da democracia que relativiza as próprias democracia e ditadura.

Passando uma borracha, do ponto de vista político, naquelas cenas dantescas criminosas do 8 de janeiro e que já resultou em 30 condenações do Supremo Tribunal Federal.

Sugerem que fosse mais adequado o particular entendimento do bolsonarismo sobre justiça e democracia.

Bolsonarismo que subiu a rampa proclamando que bastaria um soldado e um cabo para fechar a Suprema Corte do país, garantidor da Constituição da República.

E que negligenciou, sob vários escândalos de desvios de recursos públicos, uma pandemia que deixou mais de 700 mil mortos enquanto se  embolsava relógios e jóias de  milhões de reais presenteadas ao governo brasileiro e abria a torneira de bilhões dos cofres públicos para parlamentares fazerem o que quiserem sem prestar contas nas emendas de relator.

Deve ser esta a democracia que os contrários à Democracia Inabalável teriam como referencial.

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1 Comentário(s)

Luiz Cláudio Gonçalves Benício 09/01/2024

Não estou a advogar para o Governador Wanderlei Barbosa. Primeiro por não ter procuração e segundo por saber que caso ele possui quem a faça(defesa jurídica) caso precisasse. Mas, tive a oportunidade de vê-lo num evento religioso na cidade de Pequizeiro onde de pronto ele alertou do estado gripal fortíssimo pelo qual se encontrava. Prova tanto que sua presença no evento se fez em pouco tempo, tendo se recolhido cedo da noite. Por fim, caso pudesse, Wanderlei lá estaria com certeza, pois sua postura democrática não o faria demonstrar seguir outro caminho que não se alinhar ao governo, para o bem do Tocantins, pauta que ele optou e tem agido com esmero.

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