O problema da regulação na Capital está colocado. A Justiça está arbitrando. Ontem, no entanto, duas reações distintas e divergentes demonstraram, com pouca margem de dúvida, a desorientação de senadores, deputados estaduais e vereadores.
Na Câmara de Vereadores, o ex-presidente Marilon Barbosa defendeu entendimento entre Wanderlei Barbosa e Cínthia. Sem elencar culpas afinal a finalidade é melhorar o sistema e não combatê-lo. Mais atendimento do que retórica chinfrin. a um ano das eleições.
Um posicionamento maduro que, aliás, tanto Cínthia quanto Wanderlei tem tomado não dando à situação a dimensão pública de uma crise que o Secretário de Saúde sugeriu querer, intencionalmente ou não, provocar entre os dois gestores eleitos pela população.
Claro é que a reação de Marilon é, politicamente, assentada no que defenderia o Governador do qual o vereador é o irmão mais velho.
Atuam em sintonia, como se deu na eleição de Janad Valcari na presidência da Câmara que tinha Marilon como favorito. Entendeu-se com Wanderlei, então vice, por Janad. E está dando no que dá dado que o destrambelhamento de Janad dá indícios de ser incorrigível, quase congênito.
Ou na resistência a Mauro Carlesse que tratava o vice-governador Wanderlei Barbosa como um “zé mané” quando de fato teria sido, o vice, o responsável direto por sua eleição a Governador em 2018. Wanderlei, como se sabe, é um político articulado, tem carisma, é popular e tem dominado o fígado.
A reação da Câmara, entretanto, difere diametralmente do posicionamento dos deputados ontem que pareceram contaminados pela vereadora-deputada Janad Valcari que é deputada e ainda não entendeu que representa não só seus eleitores de Palmas, mas do Estado. No que exigiria a compreensão do macro para atacar o micro. Ou vice-versa.
Aliás, os deputados pouco se diferenciaram, na substância, da reação palanqueira do senador Irajá Abreu. O parlamentar foi novamente à tribuna do Senado para denunciar o que considera crise na saúde do Estado. Como Janad, trocou o todo pela parte. Uma questão de escolha.
Deixou de lado os escândalos de R$ 4 bilhões (denúncia do MPF) de desvios no governo Siqueira (do qual foi Secretário) – grupo com o qual se elegeu pela primeira vez em 2010.
Não lembrou dos desvios de recursos do BNDES (R$ 1 bilhão destinados à Saúde desviados para obras de campanha) de Sandoval (também do qual foi aliado). E, como nos R$ 4 bilhões de Siqueira, já era deputado de federal e tinha a tribuna da Camara dos Deputados. Escolheu o silêncio. Um direito, claro.
Não citou também o escândalo da Pró-Saúde (governo Siqueira) ou da OS Brasil, do governo Marcelo Miranda, ao lado do qual teve a sua reeleição para deputado federal e seguiu aliado até o racha da família com os Miranda.
Isto tudo quando reinava, aí sim, o caos da saúde que obrigou Siqueira, por exemplo, a criar um Grupo Gestor da Crise que não solucionou o problema. Pelo contrário, o aumentou.
Lembram-se das barracas de lona do HGP, das pessoas indo a óbito nos corredores, das filas de cirurgia, dos milhões em medicamentos superfaturados, dos remédios perdendo validade no depósito central da Secretaria de Saúde!!! Nos governos Siqueira e Marcelo!! E da prisão de dois governadores, dois secretários da Saúde e de empresários!!! No governo Sandoval e Siqueira!!! Lá onde Irajá foi presidente do Itertins!!
Tudo isto aí escorria quando o governo registrava um desempenho fiscal irresponsável, sem disponibilibade de caixa, inadimplente e insolvente. Só não falia porque um governo não vai juridicamente a falência. Os governos pagavam salários de oficio a partir de setembro porque acabava orçamento e financeiro. Um crime não condenado pelo Tribunal de Contas do Estado.
Obviamente não são as tribunas do Senado ou a Câmara dos Deputados as instâncias competentes ou mais adequadas para o que interessa: a solução do problema que, aliás, até agora limita-se à regulação no HGP. Apenas exibe, a conduta do Senador (legítima e democrática por sinal) em nível nacional, suas adversidades paroquiais.
Se contrário fosse, o Senador bolsonarista destinaria suas emendas individuais ou de bancada para a construção de um hospital em Palmas. Já está lá no Congresso há doze anos e escolhe pulverizar suas emendas nos seus colégios eleitorais, em miudezas.
O problema da regulação (ainda que exista outra variedade de questões), apesar de se tentar dar uma dimensão maior, é, circunstancialmente, localizado. E que se resolveria no aumento de leitos e melhoria na regulação (o Estado tem 2,04 leitos por mil habitantes, uma das melhores médias nacionais). E a saúde tem os recursos próprios.
Não se está falando de desvios de bilhões ou de aceleração dos problemas que o governo, é fato, tem contornado como são provas a redução das filas de cirurgia, a elevação dos recursos aplicados no setor e o aumento do número de pessoas atendidas nos hospitais públicos.


