O governador Wanderlei Barbosa talvez não saiba: mas ao discursar ontem no comitê de Dorinha e dizer que vai percorrer o Estado de carro (com o enfoque de que não quer nem avião) pela candidatura da Senadora, estaria fazendo um convite ao eleitor a colocar de lado uma verdade objetiva por outra acidental.
O governador tem lá suas limitações legais em ano eleitoral. Não pode fazer uso de bem público (carro). E as distâncias entre cidades dificultariam compatibilizar suas obrigações e a campanha. Um novo inquérito policial é tudo de que Wanderlei menos precisa para sobrevivência política.
No dia anterior (na saída do debate da Record News), indagada sobre a situação da saúde no governo Wanderlei, numa entrevista quebra-queixo (aquelas em que o entrevistado ou ignora e dá as costas ou responde sem filtro), Dorinha respondeu quase escapulindo que a saúde no governo Wanderlei não seria de sua responsabilidade. E sim o seu plano de governo apresentado.
As imagens do seu rosto correspondem aos estímulos da resposta. Os portais mais cuidadosos com a Senadora colocaram o filtro que ela ignorara e editaram as imagens e respostas. Publicaram apenas as platitudes dos planos da Senadora.
Dorinha saíra de um debate em que sua participação fora fulminada pelos demais. Não apresentou um número qualquer, um programa, um projeto. Preferiu o blábláblá professoral enquanto Vicentinho Jr discorria sobre “hub logístico”.
A divergência (verdade objetiva) – a seguir o discurso de ontem – vai sair da frente do eleitor que nos próximos 45 dias será triturado pela verdade acidental de Wanderlei e Dorinha.
Aquela da solidão do debate pelo fardo da imaginada auto-suficiência.
Para depois das eleições retomar seu eixo: aquele que levou Dorinha a ir praticamente sozinha ao debate da Record News na terça. Enquanto os demais candidatos exibiam suas claques.
Deveria Dorinha refletir sobre uma velha e surrada canção: "Agora eu sei", de Roberto Carlos. É uma indicação que pode ajudar a combater sua rejeição que não sai dos 30%.
E que não modificada, pode resultar na derrubada da aprovação popular de Wanderlei.
E não o contrário como se projeta.


