Um dos pecados da senadora Dorinha Seabra (UB) no debate de ontem residiu na forma como tratou o tema da saúde.
O desempenho pode ser creditado à auto-suficiência que tenta aparentar a Senadora e à negligência dos marqueteiros.
Saúde é a maior preocupação dos brasileiros (21%/Datafolha). Maior que segurança e a fome. As reclamações na rede pública, por si só, já seriam suficientes para um maior cuidado no preparo.
No Estado é visível o duto de desvios. Tal como a precariedade do atendimento em determinados setores.
Das compras aos profissionais. Da burocracia à maca. Um sistema que não teve origem no governo Wanderlei Barbosa.
Mas que a engrenagem permanente deu curso e se retroalimenta. Entra governo e sai governo. Uma passadinha do MPE e PC no almoxarifado da pasta é um garimpo de desvios.
Dorinha poderia ter citado que Wanderlei aumentou os investimentos no setor. Elevou as aplicações na saúde de 5,2% do PIB (2025) para 5,7% (2026). No governo federal, situa-se em 4%.
Se compararmos os investimentos de 3,1% do PIB de 2021 quando assumiu, praticamente dobrou os recursos. Para inflação de 19,41% no período 2022 a 2026.
Com população (demanda) praticamente estacionada.
É uma equação que precisa ser resolvida com rapidez e assertividade. E que a candidata do governo optou por relativizar.
O argumento técnico dos governistas de que confrontar receita/despesa/resultado seria estatístico (conectado a critérios demográficos/Estado menos populoso elevaria a média per capita) é sofismático.
Isto porque só confirma que poucos tiveram muito. Mas não foram atendidos na forma correspondente ao valor aplicado.
Poderia dizer: vamos colocar um auditoria para analisar as contas, mas não disse pelo conflito existente: é a candidata do governo e passou a defender o continuísmo para aproveitar-se da aprovação popular do governador.


