O governador interino Wanderlei Barbosa deve estar exercitando mais do que nunca sua expertise política para viabilizar-se e a seu projeto equilibrando-se sobre ações práticas de governo e a construção de uma base mínima de sustentação na bancada federal, legislativo estadual e prefeitos.
Tudo isso, sem descuidar-se das circunstâncias que apontam para a possibilidade (respeitadas as estimativas de probabilidades) de a Justiça mandar Mauro Carlesse de volta ao cargo, como até mesmo o ministro Mauro Campbel aventou na sentença do afastamento.
Wanderlei reduziu, com efeito, nos últimos dias, a aceleração de mudanças. Alteração de velocidade ou rota, latitude e longitude, implica em consequências. A contrário da Lei de Murphy em que tudo o que puder dar errado dará, no mundo real resultados contrários à vontade derivam diretamente, quase sempre, de ações ou omissões.
Se apenas manter o desempenho fiscal que o governo anterior registrava, Wanderlei pode mostrar à população (e à sociedade política) deter condições para tocar o Estado. Isto, entretanto, requer controle da tentação populista, que, talvez, não seja, em ano eleitoral, o melhor conselho que podem lhes estar dando os velhos políticos, repositório de todos os governos que levaram o Estado à situação vigente.
Uma delas: distribuir os recursos da disponibilidade de caixa às prefeituras que redundará, inevitavelmente, na redução das possibilidades do Estado readquirir sua capacidade de pagamento (Capag), sem a qual não tem acesso a garantias da União nos empréstimos para investimentos. Ou até mesmo implementar o tal fundão das emendas dos deputados que apropria-se dos recursos do tesouro e das competências constitucionais.
De janeiro a outubro de 2021 (https://www.transparencia.to.gov.br/#!receitas neste domingo), o governo teve de receitas totais o montante de R$ 9,4 bilhões. O valor é 14% (R$ 1,2 bilhão) superior aos R$ 8,2 bilhões de janeiro a outubro de 2020. Só no mês de outubro/2021, as receitas foram de R$ 1,054 bilhão contra os R$ 849 milhões do mês de outubro de 2020.
Já as despesas tiveram desempenho menor. De janeiro a outubro de 2020, o governo empenhou de despesas R$ 8,2 bilhões. Já de janeiro a outubro de 2021, o total de despesas empenhadas elevou-se a R$ 8,8 bilhões. Cotejado o resultado das receitas no período, ter-se-ia um superávit primário de R$ 600 milhões (diferença entre o aumento da receita e da despesa).
Isto aí se Wanderlei conseguir manter já terá meio caminho andado pois teria mantido o mesmo desempenho do antecessor que também seria dele próprio, já que exercia o cargo de vice também eleito.
Se de suas ações, entretanto, o desempenho cair, obviamente que será escrutinado por isto pela população e formadores e opinião, quando poderá ser responsabilizado por desviar as contas públicas do ajuste fiscal em curso.
De outro modo: com Wanderlei o Estado teria piorado. Uma avaliação com potência para derrubar qualquer projeto que o governador interino tenha em mente para 2022.


