Sábado, 24 de Out de 2026

Wanderlei cumpre seu papel institucional e não endossa especulações de que posse no Governo fosse oportunidade de afastar-se politicamente de Carlesse do qual é ainda vice!!!

21/10/2021 1558 visualizações

Wanderlei Barbosa cumpriu à risca hoje o papel que lhe foi imposto pelas circunstâncias: demonstrar que o governo não foi paralisado pelas denúncias contra Mauro Carlesse, que continua aliado do Governador afastado mas que cumprirá a função de Chefe do Executivo interino como se definitivo fosse, afastando inseguranças jurídicas e o vácuo de poder político. Inclusive reunindo a maioria parlamentar no Legislativo estadual.

A estrutura do pronunciamento na coletiva de imprensa nesta manhã deu, por consequência, garantias à Justiça de que, se manterá a mesma direção política na pauta do governo para o qual foi eleito vice (e mesmo secretariado), não será, no cargo por força da linha de sucessão, o prolongamento das causas que se atribui tivessem motivado a Justiça a afastar o titular por seis meses.

Por prudência e pelo próprio projeto dele e de Carlesse, os titulares de pastas que foram afastados pela Justiça terão seus cargos preenchidos por novos indicados que, pelo que se entendeu do discurso de hoje, deverão passar por outra peneira: a Justiça.

E aí uma interferência implícita do poder Judiciário no Executivo que não se poderia aceitar ainda que na melhor das boas vontades, pela afronta constitucional que representaria. Executivo não pode ser governado pelo Judiciário. Uma disfunção muito explícita no encontro que Wanderlei teria tido com integrantes da operação do Judiciário que afastou Mauro Carlesse.

Do ponto de vista político, obviamente se há desgastes, há ativos perfeitamente mensuráveis, de difícil refutação por parte da oposição a Mauro Carlesse e pela própria Justiça e Ministério Público. Ainda que não pudessem ser justificativa a desvios institucionais caso se comprovem as denúncias que deram causa ao afastamento.

Alguns deles: RREO do 4º bimestre de 2021 (publicado pela Secretaria de Tesouro Nacional esta semana) demonstra que o governo (sob Carlesse) fechou agosto/2021 com receitas crescendo 16% (em relação a igual período de 2020 e em plena crise econômica) e despesas no índice de 4%. Ou seja, as receitas cresceram quatro vezes mais que as despesas. Despesas de pessoal (todos os poderes) em 57% (o máximo é 60%) e um resultado primário de R$ 1 bilhão (16% da RCL).

Mauro pegou o governo (RREO/dezembro/2017) – assumiu interinamente em março/2018 – com receitas crescendo 2% e despesas avançando 4% (governo Marcelo Miranda). Ou seja, as despesas cresciam o dobro das receitas. Resultado inverso que o atual. Despesas de pessoal (todos os poderes) em 65% (repito, máximo é 60%) e um resultado primário de R$ 214 milhões (apenas 3% da RCL).

Por isto Wanderlei Barbosa (que no cargo poderá ser reeleito uma vez) deve ficar com um olho no padre e outro na missa, um par de dança e outro de cantiga. Não pode desvencilhar-se de Carlesse por força das denúncias, nem jogá-lo sozinho às feras. E tampouco transmitir que cumpriria ordens do governador afastado.

Isto porque o Governador afastado pode, até aqui, retornar administrativamente o cargo após vencido o afastamento. Muito embora possa não reunir daqui a seis meses condições políticas para continuar à frente do Palácio Araguaia, ser-lhe-á um direito voltar à cadeira, já que seu mandato expira apenas em dezembro de 2022. Um cabo eleitoral e tanto, caso não resolva ele mesmo aproveitar-se do ativo administrativo que construiu para disputar uma vaga no Congresso.

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