O governo publicou na noite de ontem Medida Provisória 08/2022 (28 de março) determinando a revisão geral dos salários dos servidores públicos. Pela MP, o Palácio autorizou o pagamento da data-base de 2020/2021 (que fora suspensa pela pandemia), em índices de 2%. E de 2021/2022 corrigindo os salários em 4%.
O governador Wanderlei Barbosa acerta na medida antecipada (a data-base é maio) que, entende-se, também pressionado pela legislação em ano eleitoral. Mas poderia não fazê-lo. Em o fazendo, auxilia os funcionários nos seus planejamentos domésticos.
Ainda que Wanderlei tenha decidido por conceder um percentual maior do que aqueles autorizados por Mauro Carlesse, do qual era vice, os percentuais não tem correspondência com a inflação oficial nem com o desempenho das receitas e ainda difere do percentual que os outros poderes estudam conceder.
O governo esperava em 2021 receitas de R$ 10,9 bilhões. Ele realizou (conforme balanço publicado) R$ 12,2 bilhões. A inflação de março de 2021 a março de 2022 ficou na faixa dos 10,79%. Os 4% concedidos por Wanderlei, assim, na corrigem a inflação (razão da revisão geral) pois representam apenas 37% da inflação do período.
Mas é ainda maior do que o 1% de Mauro Carlesse (última data-base concedida) contra uma inflação anual à época de 5,0747%. Enquanto Carlesse repôs apenas 19% da inflação, Wanderlei corrige 37%.
Se Mauro Carlesse conseguiu convencer todos os poderes, de forma unificada, a acatar o 1%(só 19% da inflação) , Wanderlei se ateve às suas competências no Executivo, deixando aos demais poderes a administração de seus duodécimos. Alguns já acenam correções acima dos 10%.


