Não há como não defender a decisão política (e administrativa) de Wanderlei Barbosa de suspender o reajuste de 9,37% nas contas de água da BRK.
E observar com olhar mais agudo o índice e forma empregados no reajuste autorizado pelo governador em exercício Laurez Moreira.
Com o reajuste homologado (sem ter sido publicado no Diário Oficial) a tarifa da BRK mantém-se no topo do ranking de tarifas.
A explicação para a majoração, pelos fundamentos colocados, contraria o desempenho financeiro da empresa e a qualidade do produto que entrega.
De janeiro a setembro do ano passado (relatório publicado em 12 de novembro de 2025 pela empresa), a BRK Palmas, por exemplo, apresentou um lucro líquido 59,8% a mais comparado com o igual período de 2024.
Os custos aumentaram apenas 1,5%!! Uma receita líquida de R$ 642 milhões (nos 47 municípios), maior do que os R$ 597 milhões de janeiro a setembro de 2024.
No país, a BRK teve uma receita operacional líquida de R$ 3,383 bilhões. Equivalente a 6,4% acima dos R$ 3,081 bilhões de 2024.
A empresa no Estado defende o reajuste com a falácia de que o aumento significará R$ 10,00 a mais na conta da maioria.
Ora, tomando como base uma conta de 50m3 mensais, antes do reajuste o m3 era R$ 21,89 que levava a uma fatura de R$ 1.094,00.
Com os 9,37%, o m3 sobe para R$ 23,94, levando a uma conta de R$ 1.197,00 mensais.
Uma diferença de R$ 103,00 todo mês que, em 12 meses, leva a um acréscimo de R$ 1.236,00 no bolso do consumidor.
A BRK é aquela da CPI de brincadeira dos vereadores de Palmas. E cuja concessão foi renovada sem a aprovação da Câmara.
Uma empresa hoje 100% privada.
E que segue prestando um serviço de qualidade duvidosa e conseguindo postergar o pagamento de multas milionárias que lhe são aplicadas, com a inércia do Judiciário.
Alguém parece ter acordado (ainda que em ano eleitoral) para esse capitalismo selvagem da BRK sobre um Estado em que 57% da população está no cadastro único do governo federal.


