Dois anúncios do governador interino Wanderlei Barbosa ontem revelam correspondência e divergência com o governador afastado do qual é vice.
Como Carlesse, Wanderlei deu aval à discussão de ajuste no PCCS na Polícia Civil. O Estado (www.transparência.to.gov.br desta quarta) registra que o governo liquidou de janeiro a outubro despesas obrigatórias (pessoal, correntes, dívida) um total de R$ 7,3 bilhões.
Isto aí representa 90,9% das receitas correntes do período. Ele já tinha empenhado R$ 8,01 bilhões. Ou 97,8% das receitas correntes. Pensar em elevar despesas obrigatórias neste contexto não passaria de promessa eleitoreira quando na atividade fim do Estado (investimentos) a aplicação no período girou em torno de 3% das receitas.
O Estado vivendo para financiar o próprio Estado e não a finalidade para o qual ele existe. E ainda tem o passivo contabilizado de R$ 935 milhões dos quais mais de R$ 600 milhões com servidores. Há milhares de progressões não pagas, outras sequer implementadas, apesar da lei
Já outra colocação do governador interino é mas realista: prometeu estudos para retornar as seis horas. Nem precisaria, já existem tais estudos no governo apontando a economia para a administração pública. Mauro Carlesse só não a implementava por razões políticas. Aquele negócio de apresentar dificuldades para cobrar facilidades. No caso, contrapartida eleitoral.
Razões é que não faltam. Estudos da Prefeitura da Capital, por exemplo, demonstram que a jornada de seis horas implementada na administração municipal resultou numa economia de 20% nas despesas correntes (custeio e salários).
Como o princípio matemático é o mesmo, significaria no Estado uma economia da ordem de R$ 1,8 bilhões anuais, considerando as despesas correntes do governo em agosto de 2021 (R$ 760 milhões de salários e custeio).
Prevalecida a equação, sobraria ao governo para justificar a não adoção da jornada de seis horas tão somente argumentações políticas. Isto considerando estudos da Secretaria de Administração e do Planejamento (da própria administração Carlesse) que apontaram a economia quando o governo a implementou.
E que levaria, por óbvio, a outra dedução: a política teria mais sentido à administração do que 20% a mais de despesas com salários, água, luz, telefone e que tais que a jornada de oito horas em vigor provocaria.
Uma contradição vetorial considerado o ajuste fiscal que o governo tem feito e aprovado pela Secretaria do Tesouro Nacional.


