Sábado, 24 de Out de 2026

Wanderlei aceita Bolsonaro e os evangélicos o dizem em nome de Jesus!! Uma escolha pragmática impulsionada por sua própria trajetória partidária mas que não deixa de impor-lhe riscos políticos

17/10/2022 955 visualizações

O grande destaque do anúncio do apoio do governador Wanderlei Barbosa a Jair Bolsonaro nesta segunda foi um ausente: o senador Eduardo Gomes, líder do “Capitão” no Congresso. E presidente regional do PL no Estado. Aparecer numa foto dessas atraindo ao palanque do presidente um governador eleito em primeiro turno é figurinha carimbada e rara. Eduardo pode ter suas explicações para a ausência na foto, mas o fato está dado.

O  PL, que é o partido de Jair Bolsonaro, perdeu as eleições para Wanderlei  mas elegeu dois deputados federais terrivelmente evangélicos (Filipe Martins e Eli Borges) que somavam-se hoje (na fotografia oficial em que não aparecia Eduardo) aos seis parlamentares federais eleitos na chapa do Governador que, agora, teria o apoio de oito dos oito deputados federais na Câmara.Uma unanimidade inusitada.

Wanderlei fez sua escolha e é um direito fazê-la. Ainda que a maioria dos eleitores do Estado tenha preferido Lula a Bolsonaro (50,40% a 44%), o União Brasil (que também já declara apoio a Bolsonaro no 2° turno) bancou R$ 5 milhões da sua campanha e Wanderlei é do Republicanos, também apoiador do presidente.

A escolha de Wanderlei é mais pragmática que programática. E certamente pouco influenciará no resultado final dado o perfil do eleitorado tocantinense nas últimas eleições. O Governador apenas escolheu um lado já que política não aceita políticos sem lados.

Evidente que poderia tê-lo feito antes. Mas tudo indica que foram necessárias articulações delicadas (e até pessoais) para juntar o sujeito ao objeto por motivos óbvios: a adversidade do PL ao projeto político do Governador.

Daí emergir, com pouco margem de erro, a proximidade e atuação do secretário de Turismo, Hercy Filho e o ex-ministro do Turismo, Gilson Machado com Jair Bolsonaro, indispensável no desarmamento de ânimos, que obteve, como se nota, a aquiescência de Wanderlei, que poderia simplesmente escolher não escolher.

O atraso entretanto não deixou de transmitir, no senso comum, que Wanderlei tivesse aceitado Bolsonaro pelos reclamos evangélicos do último final de semana. Um equívoco já que Wanderlei dá demonstrações diárias de não submeter-se a pressões. O racha com Irajá Abreu está ai ainda vivo.

É um dos riscos que corre. De outros, falarei depois.

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