Sábado, 24 de Out de 2026

Vocação eterna que, não materializada, beneficia os muito-vivos. Agropecuária é a que mais rende e paga menos imposto no Estado!!

luizarmandocosta 01/08/2020 193 visualizações

Há uma falácia que segue no Estado e se repete, dia-a-dia: a suposta vocação do Estado para a agricultura e pecuária. Há fundamentos racionais: a vastidão de terras agricultáveis (irrigáveis até por gravidade), solo fértil e temperatura/clima favoráveis.

Mas é como se o cidadão se imaginasse vocacionado para a medicina e não buscasse entrar na faculdade de medicina e qualificar-se a tal. Uma situação que favorece, com efeito, a manutenção do status quo. E se isto ocorre, pela própria relação de causa/efeito, de que tanto omissão/ação resultam consequências, se um perde, outro ganha. Movimento estático ou inercial.

Senão vejamos: só nas exportações de janeiro a junho, a agricultura e pecuária do Estado movimentaram o equivalente a R$ 4,0 bilhões. Destes, 76% de grãos e % da comercialização de carne. Se aplicássemos na venda os 25% de ICMS (médio) que o consumidor paga na na compra de alimentos nos supermercados, os dois setores recolheriam de imposto o equivalente a R$

Entretanto: a agricultura e pecuária recolheram de imposto (ICMS) de janeiro a junho no Estado, o equivalente a R$ 16 milhões e 603 mil. É algo em torno de 1% superior aos R$ 16 milhões e 424 mil pagos de janeiro a junho de 2019.

A agricultura recolheu este ano R$ 7.385.499 e a pecuária R$ 9.218.061 contra os R$ 5.877.639 (agricultura) e R$ 10.547.107 (pecuária) do ano passado. Se compararmo apenas maio/2020 com junho/2020, um crescimento positivo de (51,37/agricultura) e 30,51% (pecuária).

No mesmo período (2020), o comércio recolheu de ICMS R$ 390 milhões e 333 mil e a indústria o montante de R$ 224 milhões e 667 mil contra os R$ 385.592.911 (comércio/2019) e R$ 236.543.982 (indústria/2019).

Os números revelam que: 1) a movimentação do comércio e indústria é superior à da agricultura e pecuária; 2) o comércio e a indústria dominariam a economia regional; a agricultura e pecuária, por algum motivo, pagariam menos impostos (sonegação ou isenções fiscais).

Como é notório, o Estado não tem uma plataforma industrial relevante. E o comércio depende da indústria. O Estado é mais consumidor do que produtor.

Assim como o recolhimento de impostos indica que a agricultura e pecuária tem sido beneficiadas de forma inversamente proporcional ao que contribuem ao Estado na geração de recursos para transformação social. Ainda que se continue a tratá-lo como vocacionado aos dois setores.

Como é óbvio, até serem considerados apenas uma vocação, serão sempre dependentes de ajuda do poder público, como o cidadão que quer ser médico, necessitado de ajuda até transformar-se no profissional.

De outro modo: o caráter de vocação mantém a boa vida dos produtores rurais.

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