Enquanto você lê este artigo, o Covid-19 deve ter acrescentado mais vítimas em escala exponencial aos cerca de 6 mil óbitos que já se registrava ontem. Um deles (o primeiro em São Paulo) no Brasil. Tudo porque um chinês lá do outro lado do mundo decidiu devorar um morcego.
Valores culturais à margem, o vírus não escolhe a cara do freguês: goste-se de churrasco ou de cobra, se não tomar as devidas precauções, tem o pé na cova. Não dê uma de Messias, acredite na ciência. Se antes atravessava o vírus oceanos nos juncos de Zheng He, hoje os devora em velocidade supersônica.
O governo federal decidiu (depois de quase dois meses) reagir: entregou na segunda aos governadores estaduais recursos para sua prevenção e combate. Caberá ao Tocantins a ração de R$ 2 para cada morador do Estado.
Como o álcool em gel (primeira indicação para a prevenção) já custa R$ 12,00 a unidade (há farmácias já o comercializando a R$ 100), os moradores (ou o governo) terão que se virar nos trinta com o equivalente um sexto do valor do produto que não dura uma semana, dependendo do número de pessoas que o utilizarão.
O governo do Estado parece não ter muitas outras opções que não envolver a sociedade na prevenção coletiva e pessoal. Agiu rápido, reconhece-se. Mas dos R$ 413 milhões que teve de janeiro até hoje (empenhados) no setor de saúde pública, 27% (R$ 110 milhões) foram consumidos com o pagamento de despesas de exercícios anteriores e outros 40% com salários de pessoal. E ainda tem o custeio.
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