Como era perfeitamente previsível, a brincadeira do governador Wanderlei Barbosa com o cantor Evoney Fernandes saiu-lhe cara.
Menos por uma simples aposta na sinuca num boteco qualquer entre cidadãos comuns do que pela posição circunstancial dos envolvidos.
Evoney é investigado por rifas ilegais (sem autorização do poder público) pela Polícia Civil do Estado, polícia judiciária que é subordinada administrativamente ao Governador.
Obviamente, Wanderlei Barbosa não tem na sua trajetória política ou grupo familiar histórico de desvios éticos, morais ou de recursos públicos. Muito menos no exercício do cargo de governador. No caso em tela, a espontaneidade, disto se pode concluir com pouca margem de dúvidas, o teria levado à imprudência.
O cantor e governo se defendem. O nonsense de Evoney talvez explicasse o deboche, que tentou dissimular sem afastar a sugestão de velado, do artista com a Justiça na aposta na sinuca na questão do carro que disse precisar (a Justiça havia bloqueado veículos caros e dinheiro do cantor) na Operação Tá no Grale.
Contingente que, se é dado ao cantor ignorar ou ridicularizar à sua escolha, não se estende ao Governador de Estado, obrigado a movimentar-se sob as regras do necessário.
O governo, assim, teve que nas últimas 24 horas emitir notas de esclarecimento sobre o assunto, ainda que elas atendessem mais ao senso comum do que ao bom senso e à razão.
No governo Bolsonaro, por exemplo, o senso comum das redes sociais defendia que a terra era plana, cloroquina curava Covid e que vacinas, ao invés da cura, proporcionavam a morte.
No popular, Wanderlei Barbosa, empurrado por auxiliares de conhecimento superficial (tem também bons assessores, óbvio), caiu na armadilha das redes sociais e encostou-se nos milhares de seguidores do artista, sem medir ou pensar em consequências que não de “likes” ou “joinhas”.
Algo de que ele próprio não necessitasse dada a sua grande popularidade e aceitação no Estado. Justamente por sua conduta e trato respeitosos com a população.


