O deputado federal Vicentinho Junior (PL) lançou esta semana sua pré-candidatura a prefeito de Palmas. Acha-se credenciado a administrar a cidade em que reside há 16 anos (refuta discursos xenófobos) porque diz conhecê-la e a seus problemas. Vicentinho entra na disputa dizendo querer convergir a oposição. E pontua: seu projeto, cumprida a "missão" (cumprir os mandatos) na Capital é disputar o governo. Embora nas eleições de 2018 tenha se colocado na Capital na sexta posição (2,21% dos votos válidos de Palmas) dentre os deputados federais eleitos.
E pode consegui-lo já que tem livre trânsito com o ex-prefeito Carlos Amastha, senadora Kátia Abreu, o ex-candidato ao governo, César Simoni e o ex-senador Ataides Oliveira (três grandes lideranças oposicionistas) e a prefeita Cínthia Ribeiro (considerada pelo cargo favorita à reeleição) não tem se mexido, pelo menos publicamente, para formar um grupo consistente a garantir-lhe musculatura não só política, mas eleitoral.
Do ponto de vista nacional, pode obter (ou pelo menos dividir) o apoio dos bolsonaristas (o senador Eduardo Gomes, líder de Bolsonaro, tem apoiado Cínthia) em Palmas. O deputado diz que foi dele (Vicentinho) a responsabilidade (estrutura, mobilização e financeira) do primeiro comício pró-Jair Bolsonaro na Capital, quando trouxe e então senador Magno Malta, à época liderança forte do candidato do PSL para evento na ATM. De lá até aqui tem tido relacionamento próximo a Bolsonaro, tendo inclusive o pai, ex-senador Vicentinho Alves, sido nomeado para diretoria de infraestrutura do Ministério do Turismo, um orçamento de algo próximo a R$ 1 bilhão.
Tem a seu favor, ainda, as dificuldades que parece enfrentar o candidato do ex-prefeito Carlos Amastha, Tiago Andrino, para descolar sua candidatura do ex-prefeito e decolar seu projeto. Ele próprio, Andrino, suplente de Vicentinho Junior, o que pode possibilitar um arranjo que, inclusive, viabilize apoios futuros do parlamentar ao ex-prefeito (e aos senadores) nas eleições de 2022.
Vicentinho carrega também ao lado a ex-prefeita Nilmar Ruiz que, conforme o parlamentar, conserva um grande recall de sua administração, em função das obras que fez e das programações que movimentaram a cidade no seu mandato. Cita os carnavais de rua, as festas juninas e a intensa programação cultural do seu mandato. Pode, com isto, atrair parcela do siqueirismo, ainda uma força política relevante.
Em conversa com o blog ontem, o deputado realçou o esforço que tem desenvolvido no Congresso em favor de Palmas e do Estado e o exemplifica com a aprovação do empréstimo de R$ 240 milhões com a CAF (que a prefeitura está aplicando em obras na cidade) e que diz ter sido o responsável pela sua aprovação no governo do ex-presidente Michel Temer. Para comprovar, apresenta ofícios e audiências com o ex-ministro Eliseu Padilha e a própria agenda conjunta com a prefeita Cínthia Ribeiro em 2018.
Vicentinho Jr. vê falta de planejamento da atual administração de Palmas. Disse que a despesas com salários é alta e que a prefeita não tomou providências para prevenir outros problemas no Previpalmas (aplicações consideradas irregulares de R$ 500 milhões na administração de Carlos Amastha).
"Na prefeitura uma das primeiras coisas que vou fazer é entregar a administração do Previpalmas para os servidores, não tem sentido a prefeitura administrar um fundo de aposentadorias. Os funcionários é que sabem o melhor para sua previdência", disse o deputado, criticando o fato de Cínthia ter mantido o sistema. "Não vou reinventar a roda, vou fazer uma administração transparente, ninguém pode dizer que já estive envolvido em desvios, não há qualquer denúncia contra mim, desafio alguém demonstrar o contrário".
Diz, entretanto, que o principal problema a ser enfrentado é desdobramento da pandemia. Expõe que a prefeita Cínthia Ribeiro não tem planejamento para o dia seguinte, no sentido de minimizar os prejuízos tanto de saúde pública como na economia e nos empregos. "Nos próximos anos, a prioridade será isto, essa pandemia até janeiro vai provocar óbitos e irá causar prejuízos por muitos anos e temos que enfrentar isto com planejamento que a prefeita não está fazendo".
Para ele, é necessário otimizar gastos e melhorar a arrecadação. "Vamos ouvir as pessoas, não vou me fechar", diz ele, criticando algumas medidas da prefeita na pandemia. "Não posso mandar todo mundo fechar às 18 e deixar apenas supermercados abertos até as 20 horas".


