O governador Mauro Carlesse e o presidente da Câmara de Vereadores de Palmas, não há por que duvidar de que tivessem as melhores das intenções ao reunirem-se para discutir a regularização fundiária de áreas urbanas na Capital.
Nem refutar que não tivessem, ambos, na vigência das regras democráticas, a prerrogativa de encontrarem-se com a finalidade de buscar melhorias à cidade. Afinal, Mauro Carlesse é o Governador do Estado e a Câmara um poder municipal devida e legalmente constituído.
Há aí, entretanto, uma questão de outra natureza. Projetos de regularização fundiária são de competência do Executivo. E já existe na Capital um Plano Diretor aprovado e em plena vigência. Podem refutar, informando que seriam áreas do governo na cidade, conhecimento antecipado da prefeita e esta assinta à situação. Mas não evitariam, entretanto, a mensagem política enviada, ainda que involuntariamente, à população.
Uma comitiva de vereadores reunir-se com o Governador do Estado sem a participação da Chefe do Executivo municipal (reunião à tarde mas divulgada às 22 horas de ontem) assemelha-se, do ponto de vista político, a um atravessado non sense. E sob a ótica administrativa e das prerrogativas e competências, uma distorção.
Adicionado à inconsistência o reforço na divulgação palaciana de que os vereadores teriam sido liderados pelo presidente do Legislativo, Marilon Barbosa e que da reunião também tivesse participado o vice Wanderlei Barbosa, seu irmão e pretenso adversário da prefeita Cínthia Ribeiro no próximo ano, como informa a própria comunicação do governo, tem-se aí a intenção inequívoca de demonstrar algo que não mera movimentação parlamentar. E com consequências políticas num momento em que se exigiria aliança entre a prefeita da Capital (20% da população do Estado) e o governador.
Vereadores e governo podem dizer que não é nada disso. Só conversas democráticas. Mas tais sujeitos e objetos, como se nota, não poderiam encontrar-se nestes parâmetros sem afrontar competências estabelecidas. A própria divulgação já próximo da meia noite dá bem idéia dos supostos interesses nela contidos, ainda que sujeitos a uma negação.


