Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Vereadores de Palmas, se estudassem, descobririam que os meios é que qualificam os fins. Por isto, a política é o exercício dos meios!!!

luizarmandocosta 17/08/2019 611 visualizações

Caros, a nota de esclarecimento da Câmara Municipal, assinada pelo presidente da Câmara, Marilon Barbosa  (que você lê aí embaixo e que a Câmara espalhou nas redes linkando neste blog) na verdade, indica que o blog foi no cerne da questão. Um grupo de vereadores onde um dos líderes não se importa em dizer da tribuna coisas assim "O ex-prefeito, que foi meu adversário, nunca me acusou de homofobia. Eu era adversário político dele, mas nem por isso sou homofóbico" não deve estar preocupado com deveres constitucionais e nem em defesa da Instituição.

Intuo que Marilon Barbosa (presidente da Câmara) estaria mal assessorado (ou mal acompanhado). Marilon é do bem, não à toa os vereadores que comandariam a ação contra a prefeita o tratam como manejável ao sabor de suas conveniências políticas. Toda pessoa serena é tida como tolerante. Até com abusos. Sua família também o é. E por que falo família: porque é base do homem. Ainda que muitos por aí não se importem com isto.

Conheço Marilon praticamente deste a infância no Colégio Estadual de Porto Nacional. Quando fiz o exame de admissão, ele já estava lá sob o comando de Monsenhor Antônio Luiz Maia, que viria a ser um dos primeiros senadores do Estado, de quem passei a cultivar amizade nos estudos de Lógica na Universidade Federal de Goiás no início dos anos 80.

De posse disso, Marilon teria certamente base para outro tipo de refutação a críticas. Mas optou pela política barata e no cargo de presidente do Legislativo. Ora, o presidente da Câmara, a título de contra-argumentar, se defende do que não os acusei (aos vereadores).

É evidente que os orçamentos são públicos, as emendas são públicas assim como os cargos públicos. Constitucionais, mas ele gasta parte do tempo para justificar o que está na lei e que este blog citou porque é público. Sugere que a simples informação do orçamento da Câmara fosse uma crítica aos vereadores!!!!! Ainda que o fosse, o contribuinte, pela tese, não teria, assim, direito a criticá-lo pelo valor que dele recebe. Mas o artigo não o faz.

Seria apenas uma tergiversação não representasse também tentativa de calar críticas. Só faltava essa: não querer que a população seja informada do custo público da Câmara. Algo que, se de difícil acesso no Portal das Transparências do Legislativo,  muito explícito no Portal das Transparências da Prefeitura, no orçamento municipal.

Não refutou o atual presidente da Câmara o óbvio: os motivos da Câmara empurrar com a barriga sua obrigação de apreciar Medidas Provisórias do Executivo e reprová-las ou aprová-las como determina a Constituição Federal. O núcleo da crítica exposta pelo artigo.

Aliás, o mesmo comportamento refratário não registrou o presidente da Câmara, Marilon Barbosa, quando dois dias antes apontei aqui a ilegitimidade da prefeita Cínthia Ribeiro de criticar vereadores nas redes sociais por não aprovar matérias. Apontando a competência constitucional dos parlamentares que não poderia ser um puxadinho do Executivo.

Ali, eu não estaria ofendendo a Câmara de Vereadores e não teria emitido uma opinião "travestida" de matéria jornalística. Ou, nas palavras do texto "oficial" da Câmara, uma opinião "plantada". Ou seja, a tábua de valores do presidente da Câmara teria sentido único. Partindo do blog, seria uma ofensa. E olha que eu não apontei que os vereadores estivessem fazendo negócios travestidos de atuação parlamentar.

Ou já se esqueceram dos processos de administrações anteriores, das transformações de lotes públicos em imóveis para postos de combustíveis!!!! E o que dizer da aprovação de aumentos planetários do IPTU, e do esquecimento por dois anos do rombo do Previpalmas? E do escandaloso contrato da BRK!!! E da aprovação do novo Plano Diretor, transformando áreas de preservação e áreas para loteamentos particulares!!!!

Poderia no artigo ter citado o nome dos 12 vereadores insurgentes e suas reivindicações particulares que seus interlocutores segredam, o nome dos que participaram da reunião e daquele (o 13º) - ex-presidente da Câmara - que, convidado por um dos líderes do grupo, não aceitou fazer parte da brigada, por um motivo prosaico: atribui ao governador Mauro Carlesse seu infortúnio político.

Ora, o que Mauro Carlesse, governador do Estado, teria a ver com isto? Qual outra relação que não com o vice, Wanderley Barbosa, seu candidato a prefeito? Os vereadores não ligam muito para este negócio de lógica política. Alguns sequer a conhecem (cientificamente) e creem que suas intuições são invisíveis e elaboradas. Aliás, ligam sim. Não querem é que sejam expostos seus movimentos laboriosos.

Como por exemplo, o que vai no Jornal do Tocantins deste sábado em que um dos líderes do movimento (que decidiu-se publicamente rachar com a prefeita na crise objeto do artigo) é presidente metropolitano do PP, partido no qual o vice-governador, Wanderley Barbosa, também pelo JTO, deste sábado, deve filiar-se, tendo em vista os problemas do PHS com a cláusula de barreira. Mas acham (digo, determinam) que ninguém pode juntar "lé" com "cré". Estariam invisíveis.

Marilon não explica porque o grupo quer ter 13 vereadores (quórum constitucional do impeachment) – dois terços da casa – nem os encontros (democráticos, por sinal) com o irmão vice governador e pré-candidato a prefeito. Tudo legítimo. Ilegítimo é fazer uso da agenda da Câmara para isto. Ou tentar encontrar crimes da prefeita (como se isto fosse a finalidade em si dos vereadores) para abrir processo de crime de responsabilidade. Crime ali mesmo agora praticado pela Câmara no descumprimento de decisão judicial. Ou eles vão negar o que postam nas redes?

Poderia citar também os processos de regularização fundiária na cidade, especialmente na área industrial e os vereadores que tem imóveis por ali (alguns são objeto de ações judiciais). A maioria, como todo morador do começo de Palmas sabe (e eu sou um deles), em áreas invadidas. Posse em área do governo/prefeitura. Hoje de avaliações milionárias. Ou mesmo o número de empregados da prefeitura indicados por cada vereador.

Wanderley Barbosa (irmão de Marilon) tem o direito legítimo e legal de se candidatar a prefeito. E de buscar apoio para isto. É do jogo e já teve o pai prefeito da cidade que conheço desde que o meu pai (pedreiro) ergueu (na administração do prefeito Antônio Coelho dos Santos) o primeiro colégio em Taquaruçu (na então praça central da cidade), no início da década de 70, quando íamos ao distrito na camionete rural Willis verde e branco do Raimundo Florentino ou no caminhão Chevrolet do "seo Pedro Maracaípe" que tínhamos que empurrar na ladeira de tabatinga para subir a serra escorregadia no inverno para chegar ao distrito.

Os vereadores também tem o direito de apoiar quem lhe der na telha (ainda que estejam subordinados à escolha do eleitor que eles, via de regra, não se importam).

Mas a política é o exercício dos meios. E estes é que qualificam (dão qualidade) aos fins; Da mesma forma que a história qualifica seus vivenciadores e narradores.

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