A situação dos ex-secretários da prefeitura de Palmas se agrava a cada novo vazamento escalonado de trechos da ação que justificou a operação.
Obviamente que a acusação continua a mesma, com os mesmos fundamentos de sua deflagração há três dias, que, a priori, já seriam sugestivos de presuntivos desvios de recursos públicos.
A escalada do vazamento, entretanto, possibilita um escândalo a cada dia, quando os fatos e acusações seriam os mesmos que levaram a Justiça Federal a autorizar a operação deflagrada na quinta-feira.
E a liberar, sob fiança, ontem,o ex-secretário preso, e, por ora, tratado como o operador e maior envolvido (o que se divugou vazado das provas é de difícil defesa, mas ele ainda é apenas investigado, pode demonstrar o contrário).
Mas que, tomado o devido processo legal, a soltura, por si somente, estaria a demonstrar aparentemente, fragilidades acusatórias.
Se do ponto de vista processual os vazamentos pouco influenciariam (apesar das reclamações de advogados de não ter acesso pleno às acusações) no território político não é a mesma coisa.
Ainda que tenha demitido sumariamente os envolvidos, a prefeita Cínthia Ribeiro é levada a enfrentar, como os investigados, uma denúncia a cada dia, proporcional e consequente a cada vazamento em favor dos adversários políticos do seu grupo.
Como de toda causa tem-se uma consequência e consequências, portanto, decorrem de uma causa, pode-se, por lógica, deduzir motivações e potência de ambos sem submeter-se a apontamentos indutivos.
Impressões possíveis de ser previstas antecipadamente e, em assim sendo, administráveis a partir do que lhe dá causa e não do efeito. Por óbvio, publicitar todos elementos da acusação de uma só vez provoca apenas um impacto. Dia após dia, então, sabe-se o resultado.
A publicização (neste sábado) de trechos dos depoimentos, de imagens e até de uma “carta-propina”, manuscrita, com timbre da Prefeitura apontando supostos índices do “propinoduto” assinada por uma das ex-secretárias, é, por demais, intrigante.
O escândalo, assim, não residiria apenas nos desvios. Mas no exercício de burrice ou da subestimação da inteligência alheia. Propina por ofício. Um achado.
E a Prefeitura segue sangrando com um timbre que poderia ser mostrado e demonstrado há três dias. Mesmo que já estivesse auxiliando a polícia nas investigações há três dias, igual decurso de prazo da demissão dos investigados.


