Terça-feira, 12 de outubro de 2021, a 355 dias das eleições gerais, Dia de Nossa Senhora Aparecida (padroeira do Brasil) e decorridos sete dias da celebração dos 33 anos do Estado do Tocantins com o estabelecimento, dentre outros elementos, de sua representação na Câmara dos Deputados e Senado da República onde a população sustenta oito deputados federais e três senadores.

  1. Com o aval dos deputados e senadores do Estado, o Congresso discute projeto de lei (de autoria de um deputado do PT e relatoria de outro do PSD) que aumenta o controle político do Conselho Nacional de Procuradores da República, determinando também que a Corregedoria do CNPR seja competência dos parlamentares a indicação, emendando a Constituição para retirar as competências do Ministério Público, favorecendo, ainda, a anulação de processos criminais contra gestores e políticos.
  2. Com o aval dos deputados e senadores do Estado, o Congresso aprovou corte do Ministério da Economia no orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia (R$ 600 milhões), destinado à compra de insumos para a fabricação de medicamentos de combate ao câncer no país, especialmente destinados à rede de saúde pública.
  3. Com a anuência (e omissão) dos deputados e senadores do Estado, o governo federal vetou absorventes para mulheres com pobreza menstrual prejudicando 47% das adolescentes no ensino fundamental do Estado, que vivem a compatibilizar (como se isto fosse possível) o ciclo menstrual e a fome.
  4. Com o aval de deputados e senadores do Estado, o governo aprovou as emendas do relator (um orçamento paralelo e marginal) de R$ 19 bilhões (2022), sem qualquer controle de aplicação, para os parlamentares que já tem outros R$ 17 bilhões para suas emendas individuais e coletivas. Ou: mais R$ 36 bilhões, cortando recursos de áreas fundamentais como educação e saúde.
  5. Com o aval de deputados e senadores do Estado, o governo federal mantem sua política cambial de atrelar alimentos e combustível ao dólar, aumentando a pobreza no país na mesma medida em que eleva os ganhos pessoais do Ministro da Economia, do presidente do Banco Central e de conhecidos parlamentares do Estado que fazem uso do mesmo expediente nos seus depósitos em paraísos fiscais.
  6. Com o aval de deputados e senadores do Estado, o Congresso aprovou o fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões (vetado por Bolsonaro que o reduziu para R$ 3,5 bilhões ) que somados ao fundo partidário que já possui  R$ 1 bilhão (orçamento de 2022) , elevam os custos dos políticos e partidos à população em R$ 5 bilhões.
  7. Com o aval de deputados e senadores do Estado, o Congresso flexibilizou a aplicação dos recursos do fundo partidário. Agora os partidos poderão pagar qualquer tipo de despesa com o fundo. Sem qualquer fiscalização.

O Congresso Nacional custa todo ano ao contribuinte o equivalente a R$ 10,8 bilhões só com salários, vantagens e verbas de representação.

Os onze parlamentares do Estado consomem de custeio, portanto, R$ 200 milhões anualmente. Ou R$ 18 milhões a cada 12 meses para cada um. Ou ainda: R$ 1 milhão e 500 mil a cada 30 dias. Ou: R$ 62,5 mil a cada 24 horas.

No Tocantins (dados do Ministério da Cidadania desta terça, dia 12) havia 302 mil e 51 famílias inscritas no Bolsa Família. O equivalente a 1 milhão e 200 mil pessoas. Na seguinte disposição:

  • 107.002 com renda per capita familiar de até R$ 89,00;
  • 38.418 com renda per capita familiar entre R$ 89,01 e R$ 178,00;
  • 85.282 com renda per capita familiar entre R$ 178,01 e meio salário mínimo;
  • 71.849 com renda per capita acima de meio salário mínim

No Estado, 55% da população vive em pobreza absoluta.

No Estado, há 600 mil pessoas desocupadas.

A pergunta é: o que esses caras e essas caras pensam da vida? Com que roupa, cara de pau ou coragem irão aos palanques daqui a menos de um ano para renovar suas benesses??

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1 Comentário(s)

  • Maristela Alves
    13/10/2021

    Muito triste esta notícia referente corte de verbas destinada à compra de insumos para a fabricação de medicamentos de combate ao câncer no país, especialmente destinados à rede de saúde pública. Quantas famílias desesperadas, sem condições de arcar com as despesas do tratamento, que recorrem a saúde pública, que já tem dificuldades em atender, imagina agora com o corte.

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