Era de se esperar alguma reação dos outros nove vereadores de Palmas contra a medida e em defesa do denunciante, vereador Folha Filho - na suposição de verdadeiros os motivos - que apontou discricionariedades da presidência do Legislativo na divisão de cargos comissionados que teriam beneficiado apoiadores de Janad Valcari em desfavor da determinação constitucional e dos opositores da parlamentar.

Decorridas 48 horas da exposição pública da medida, impera (inclusive por parte do denunciante) obsequioso silêncio que guarda mais correspondência com estratégia política para ser atendido do que com zelo, de fato, pelo respeito à Constituição e ao próprio estado democrático que não divide parlamentares nem eleitores em cidadãos (ou agentes políticos públicos) de primeira ou segunda categorias. Caso contrário, já teria encaminhado denúncia ao MPE ou protocolado uma Adin. É grave demais para deixar esfriar.

As supostas boas intenções da presidente do Legislativo metropolitano, assim consideradas, com efeito, não conferem à dirigente recibo para eliminar, por medidas administrativas ou decretos, dispositivos legais constituídos. Todos os déspotas e ditadores praticaram horrores pretextando o bem subordinado a valores e princípios que carregavam quase sempre disformes.

A presidente (que já havia suspendido administrativamente o pagamento da Codap de janeiro), não enfrentada na decisão ilegal, foi adiante com os cargos dos vereadores pela lei divididos proporcionalmente aos parlamentares. E não submetidos à vontade política da presidente da Câmara que não é uma empresa e os vereadores servidores que lhes devessem submissão.

Valcari saiu-se com uma nota equivocada  e diversionista (ao T1 Notícias) -e não refutada pelos vereadores prejudicados -  misturando cargos de vereadores com os comissionados que dependem da aquiescência da presidência. Como é advogada e a Câmara tem assessores jurídicos, a explicação não chega a ser nem mesmo um engodo por falsa. Até o falso tem que aparentar-se verdadeiro para passar-se como válido.

Valcari necessita (como já escrevi aqui) de orientação que reduza seu ímpeto aparentemente arbitrário. Não é, por certo, a melhor tática para quem elegeu-se presidente da Câmara (já no primeiro mandato) numa conformação política explicitamente governista.

E que pretende tê-la como candidata a deputada federal daqui a dois anos, com a finalidade óbvia de enfrentar a prefeita Cínthia Ribeiro numa suposta candidatura à Câmara dos Deputados, na pressuposição de divisão de votos na Capital em favor de uma chapa majoritária palaciana.

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Ponto Cartesiano

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