Sábado, 24 de Out de 2026

Vai-e-vem do governo na reforma do secretariado sugere falta de planejamento e contribui para torrar ativos políticos, financeiros e fiscais, fazendo fluir insegurança à economia, servidores e população.Governo novo e problemas velhos

08/02/2023 616 visualizações

Há fundadas inquietações não só políticas no Estado advindas da imprevisibilidade do governo, empossado há menos de 40 dias, reforçada pelas demonstrações de inquietude exposta na propalada reforma administrativa que o governo, frise-se, deveria, pelo bom senso, ter encetado na posse do governador eleito para um novo governo há um mês e meio.

Não são efeitos que se pode tomar como favoráveis à inércia exitosa do desempenho. Pelo contrário: a dúvida incute nos servidores, população e nos setores econômicos a incerteza acerca da solidez dos projetos governamentais.  Claro é que o governo (reeleito) teve prazo suficiente para avaliar secretários e elaborar projetos, possibilitando que a reforma fosse feita no governo que saía, para entrada de um governo renovado e reformulado.

Num Estado que pretende retirar da população e da economia em 2023 o equivalente a R$ 12,8 bilhões iniciais. Sendo que destes, R$ 11,1 bilhões (86,7%) caberão à administração direta e indireta, sob responsabilidade do próprio Governador. Situação que exigiria, a priori, prudência e análises adequadas precedentes, antecedentes às ações, para não somar prejuízos a posteriori.

Governos, com efeito, não raro fazem uso do expediente do desconforto para auferir melhores resultados de auxiliares e da administração pública. É uma tática ultrapassada pela óbvia arbitrariedade. Mas isto só resulta em ganho quando há segurança nas decisões políticas de poder. Tudo de que tem carecido o Palácio nestes dias com a reforma que vem sendo expandida e anunciada desde mesmo a reeleição de Wanderlei nas urnas.

Não haveria justificativa, desta forma, que não apenas e simples exercício de competência constitucional e política (legítima, por sinal) - desalienado das implicações dele consequentes -, as indefinições do governo na composição da força auxiliar do governador Wanderlei Barbosa. E que, por um mero e ligeiro cálculo superficial de custo e benefício, tende-se a notar maior relevo no primeiro.

De segunda para terça e isto ainda se expande na economia, política e população, o governo deu um cavalo de pau que acena mais com improvisos do que planejamento. Contrastando com o êxito das Secretarias que tem carregado o piano para que Wanderlei faça política pelo Estado, como tem feito. Uma combinação até aqui exitosa.

Não é, por certo, produto de ponderações demitir todo um secretariado numa noite e readmitir parte dele menos de 10 horas depois, quando poderia fazê-lo no expediente legal de exonerar e renomear no mesmo ato. Sem maiores explicações à população e aos secretários demitidos e readmitidos. A vacância tem, além da insegurança que gera, evidentemente, suas implicações jurídicas.

No rescaldo, Secretarias relevantes como Turismo e Cultura, Indústria e Comércio e Parcerias e Investimento, por exemplo, tiveram secretários demitidos e não readmitidos nem substituídos, gerando tanto nos ex-secretários como no próprio meio econômico e político dúvidas quanto à sua condução ou importância para o governo. A indefinição causa ruídos, não só no governo.

Lembro que no Igeprev no governo Siqueira Campos, o presidente do conselho era o secretário Eduardo Siqueira Campos. Muitas decisões do conselho que autorizaram as aplicações de R$ 1 bilhão (42% do fundo dos aposentados na época) em nove fundos e contrária a legislação foram realizadas na ausência do presidente que afastava-se apenas das reuniões deliberativas e depois retornava.

O substituto, que assumia por poucas horas, até hoje responde a processos judiciais. Ainda que não tivesse autonomia nenhuma para autorizar aplicações de um bilhão de reais.

 

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