Há fundadas inquietações não só políticas no Estado advindas da imprevisibilidade do governo, empossado há menos de 40 dias, reforçada pelas demonstrações de inquietude exposta na propalada reforma administrativa que o governo, frise-se, deveria, pelo bom senso, ter encetado na posse do governador eleito para um novo governo há um mês e meio.
Não são efeitos que se pode tomar como favoráveis à inércia exitosa do desempenho. Pelo contrário: a dúvida incute nos servidores, população e nos setores econômicos a incerteza acerca da solidez dos projetos governamentais. Claro é que o governo (reeleito) teve prazo suficiente para avaliar secretários e elaborar projetos, possibilitando que a reforma fosse feita no governo que saía, para entrada de um governo renovado e reformulado.
Num Estado que pretende retirar da população e da economia em 2023 o equivalente a R$ 12,8 bilhões iniciais. Sendo que destes, R$ 11,1 bilhões (86,7%) caberão à administração direta e indireta, sob responsabilidade do próprio Governador. Situação que exigiria, a priori, prudência e análises adequadas precedentes, antecedentes às ações, para não somar prejuízos a posteriori.
Governos, com efeito, não raro fazem uso do expediente do desconforto para auferir melhores resultados de auxiliares e da administração pública. É uma tática ultrapassada pela óbvia arbitrariedade. Mas isto só resulta em ganho quando há segurança nas decisões políticas de poder. Tudo de que tem carecido o Palácio nestes dias com a reforma que vem sendo expandida e anunciada desde mesmo a reeleição de Wanderlei nas urnas.
Não haveria justificativa, desta forma, que não apenas e simples exercício de competência constitucional e política (legítima, por sinal) - desalienado das implicações dele consequentes -, as indefinições do governo na composição da força auxiliar do governador Wanderlei Barbosa. E que, por um mero e ligeiro cálculo superficial de custo e benefício, tende-se a notar maior relevo no primeiro.
De segunda para terça e isto ainda se expande na economia, política e população, o governo deu um cavalo de pau que acena mais com improvisos do que planejamento. Contrastando com o êxito das Secretarias que tem carregado o piano para que Wanderlei faça política pelo Estado, como tem feito. Uma combinação até aqui exitosa.
Não é, por certo, produto de ponderações demitir todo um secretariado numa noite e readmitir parte dele menos de 10 horas depois, quando poderia fazê-lo no expediente legal de exonerar e renomear no mesmo ato. Sem maiores explicações à população e aos secretários demitidos e readmitidos. A vacância tem, além da insegurança que gera, evidentemente, suas implicações jurídicas.
No rescaldo, Secretarias relevantes como Turismo e Cultura, Indústria e Comércio e Parcerias e Investimento, por exemplo, tiveram secretários demitidos e não readmitidos nem substituídos, gerando tanto nos ex-secretários como no próprio meio econômico e político dúvidas quanto à sua condução ou importância para o governo. A indefinição causa ruídos, não só no governo.
Lembro que no Igeprev no governo Siqueira Campos, o presidente do conselho era o secretário Eduardo Siqueira Campos. Muitas decisões do conselho que autorizaram as aplicações de R$ 1 bilhão (42% do fundo dos aposentados na época) em nove fundos e contrária a legislação foram realizadas na ausência do presidente que afastava-se apenas das reuniões deliberativas e depois retornava.
O substituto, que assumia por poucas horas, até hoje responde a processos judiciais. Ainda que não tivesse autonomia nenhuma para autorizar aplicações de um bilhão de reais.


