Sábado, 24 de Out de 2026

Vai consolidando Wanderlei com Kátia. Governador pode acertar com Lula. Engenharia vai requerer muita saliva do ex-presidente mas pode levar mais ganhos que perdas ao PT no Estado

19/01/2022 3081 visualizações

A relação entre a senadora Kátia Abreu e o governador Wanderlei Barbosa sugere que os aproximem mais as eleições de 2022 do que mero cumprimento de relações institucionais entre uma congressista e o chefe do Executivo estadual.

Ainda que uma coisa não invalide a outra, antes a completasse. A Senadora hoje viaja pelo Estado com o governador depois de ontem tê-lo acompanhado em Porto Nacional e  Monte do Carmo.

A aliança tem mais de concretude do que simples especulação, considerados os movimentos de ambos. Não sendo descartado nem mesmo um encontro com Lula para mediar as relações do PT no Estado com a parlamentar e o governador. Nos bastidores já é dado como certo um encontro para acerto entre Wanderlei e o ex-presidente nos proximos dias.

Conforme apurou o blog, o ex-presidente quer renovar o mandato de Kátia Abreu. Seja pela fidelidade da parlamentar ao partido quando comandava o Palácio do Planalto – e cujo primeiro suplente no Senado é um petista – seja pela elogiada atuação da senadora como Ministra da Agricultura do governo Dilma Roussef.

Kátia teria ainda o respeito de parte do agronegócio brasileiro que comandou na CNA, um terço do PIB brasileiro, com possível influência nas eleições presidenciais, dada a possibilidade de interlocução do agronegócio (que foi Bolsonaro em 2018) no retorno de aproximação com um possível (conforme as pesquisas) novo governo Lula que seria,  no processo eleitoral, facilitado com a intermediação de Kátia Abreu.

A opção Lula por entrar com tudo na eleição de Kátia Abreu (já especulado nacionalmente) por este e outros motivos, bota pressão no PT e no grupo do senador Eduardo Gomes, repetindo no Estado a disputa nacional que se vislumbra: Lula X Jair Bolsonaro.

Como Gomes é naturalmente, por força da musculatura eleitoral, liderança importante do governo federal no Congresso, capacidade elogiada de negociação política e vem tocando, com a estrutura de que dispõe, ações que podem mudar realidades no Estado (projetos como o Calha Norte e outros, além de emendas de relator e individuais do qual tem protagonismo pelo cargo que ocupa), Wanderlei, pela lei da física, é obrigado a buscar outro espaço, no que casa com a aliança com Kátia, Lula e o PT para tentar a reeleição.

Nessa equação caberia a Lula equacionar o conflito interno. O PT tem um pré-candidato ao governo, Paulo Mourão, um deputado federal (Célio Moura) e dois estaduais (Zé Roberto e Amália Santana).

Para fazer Mourão deixar a postulação (sem a disputa convencional e os rachas previsiveis) Lula (que é amigo de Paulo) teria que convencê-lo a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, no que terminaria por rifar Célio Moura, dado que Mourão já tem vôo próprio (os votos ao Senado em 2018 o confirmaram) e Celio Moura talvez não o tivesse.

Neste contexto aí Célio Moura tem outro dificultador ou facilitador: o deputado Zé Roberto é quem, hoje, indiscutivelmente comanda o partido e a maior parte da militância. De forma que uma possível elaboração dessa chapa com Wanderlei e Kátia sob as asas de Lula poderia levar o partido a fazer dois federais em 2022, aumentando a bancada do PT na Câmara.  A serem pinçados entre Paulo  Mourão, Célio Moura ou Zé Roberto.

Uma prova e tanto para Lula e os petistas regionais: deixar que o cérebro ocupe o lugar do fígado. Para Lula, camaleônico, mera tática de movimentos, dentro da denominada guerra de  movimentos do marxismo-leninismo.

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