Sábado, 24 de Out de 2026

União publicou ontem lei elevando gastos de publicidade dos governos em ano eleitoral. Ainda assim continuam inferiores ao valor autorizado pelo TCE ao Palácio Araguaia este ano

02/06/2022 643 visualizações

O Palácio Araguaia (e o TCE) quase foram salvos pelo gongo: o governo federal publicou ontem no Diário Oficial da União a Lei Nº 14.356, de 31 de maio de 2022. A lei publicada por Jair Bolsonaro aumenta os recursos dos governos com publicidade em ano eleitoral.

Apesar do reajuste, entretanto, a licitação de R$ 40 milnões em 12 meses autorizada pelo TCE ao governo do Tocantins não se enquadraria porque pelo novo cálculo, apesar do ganho de mais R$ 10 milhões, o valor de R$ 40 milhões autorizado seria superior ao estabelecido pela nova legislação. E ainda há o questionamento da anualidade das regras eleitorais.

Determina a nova legislação:

Art. 3º O art. 73 da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 73. ...................................................................................................................

.................................................................................................................................

VII - empenhar, no primeiro semestre do ano de eleição, despesas com publicidade dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que excedam a 6 (seis) vezes a média mensal dos valores empenhados e não cancelados nos 3 (três) últimos anos que antecedem o pleito;

................................................................................................................................

§ 14. Para efeito de cálculo da média prevista no inciso VII do caput deste artigo, os gastos serão reajustados pelo IPCA, aferido pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou outro índice que venha a substituí-lo, a partir da data em que foram empenhados.” (NR)

Ela muda a forma de cálculo dos gastos dos governos em ano eleitoral. Deixa de ser a média dos recursos aplicados no primeiro semestre nos últimos três anos para ser a média mensal empenhada nos últimos três anos, multiplicada por seis.

Da bancada do Tocantins na Câmara dos Deputados apenas o deputado Célio Moura foi contra. Votaram a favor Tiago Dimas, Dulce Miranda, Dorinha Seabra, Osires Damaso, Vicentinho e Carlos Gaguim. O deputado Eli Borges não aparece na lista votação.

No Tocantins, a verba publicitária de Wanderlei Barbosa no primeiro semestre deste ano antes limitada a R$ 8,1 milhões (média dos gastos no primeiro semestre dos três últimos anos) passará para R$ 18 milhões no mesmo período.

O governo trabalha com uma nova licitação que foi questionada no TCE, mas autorizada por decisão  monocrática do conselheiro Severiano Costandrade..

No novo cálculo considera-se a média mensal dos últimos três anos multiplicada por seis (e não semestres dos últimos três anos) e contempla não só pagamentos feitos no ano todo, mas as despesas empenhadas.

O governo do Tocantins empenhou com comunicação R$ 20,7 milhões (2019), R$ 36,4 milhões (2020) e R$ 55,1 milhões (2021). Um total de R$ 112,2 milhões que leva a uma média mensal de R$ 3,1 milhões por mês nos últimos 36 meses.

A ajudinha vem a acudir os candidatos que já tinham os R$ 4,7 bilhões do fundo eleitoral e o R$ 1 bilhão do fundo partidário.

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