Conta a história que Perseu nasceu quando Júpiter visitou a virgem Dânaei como uma chuva de ouro e a deixou grávida. O deus Buda nasceu de uma abertura no flanco de sua mãe e Jesus Cristo de Maria, que estava prometida a José e antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo.
O presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, arcebispo Dom Walmor (é necessário realçar o nome), deu de entender ontem como crime hediondo o aborto numa criança de dez anos vítima de estupro. Aquela do ES transferida para PE.
E não o contrário, invertendo o papel de vítima. Ainda que o aborto, no caso de estupro, seja uma previsão legal. Em crianças, mais ainda repugnante. Ou seja, a igreja não concordaria com o estado de direito que a mantém no país laico. Sem pagar impostos.
No Tocantins (dados da Secretaria de Segurança Pública) pelo menos uma pessoa vulnerável é estuprada a cada 24 horas. Só no primeiro trimestre de 2018 (último dado disponível) foram 105 estupros.
A garotinha, quase uma bebezinha, era estuprada havia quatro anos. Confronto inevitável: narrativas e realidade. E que as religiões, como ditaduras benevolentes e inalteráveis que são, o negam. Assim como a política dela oriunda e que dela também faz uso.
Em Porto Nacional ficou conhecido na década de 70 o episódio de uma briga entre uma enfermeira e um motorista, batizados e crismados na igreja católica, apostólica romana, defensores do santo padre e da nova e eterna aliança. A enfermeira teria flagrado o marido motorista com a doméstica da casa.
É história que já faz parte da memória portuense, ainda que tenha mais veracidade do que Júpiter visitando uma virgem para engravidá-la do rei Perseu. O último rei da dinastia antigônida da Macedônia, um reinado após a morte de Alexandre, o Grande. (....)
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