A sociedade deveria provocar uma discussão moral e ética sobre ganhos públicos no Estado. Um debate sobre a realidade social da maioria da população e salários de servidores públicos. Sem demérito dos que se acham detentores de direitos.
Confirmando a regra de que feriados prolongados fossem estratégicos não só para aqueles que deles fazem uso apenas para descanso, na véspera do 7 de setembro ficou-se sabendo que os procuradores do Estado (servidores públicos), reunidos num conselho próprio, decidiram-se atribuir um auxilio-saúde de R$ 3,1 mil.
Os procuradores justificam que não haverá aumento de gasto posto bancado por um fundo que eles criaram com os honorários que recebem de ações em que defendem o governo.Tudo dentro da lei.
Os procuradores já tem um salário de R$ 31 mil conectados aos salários de ministros do STF. Igual deputados e desembargadores no gatilho do reajuste. E, além do salário para defender o Executivo, ganham honorários.
Grosso modo, são pagos duas vezes para advogar para o governo. Como se advogassem no privado mesmo tendo a garantia do salário que o advogado no privado não tem, sujeito que é não só à produção, mas ao mercado.
E o que existe do outro lado que financia esses penduricalhos legais, que diga-se, autorizados por lei pelo Executivo e Legislativo:
- O Estado tem uma renda média per capita de R$ 1.379 (IBGE/2023).
- No Estado (2023), 45% da população tem insegurança alimentar. Destes,4,7% insegurança grave (IBGE).
- Há 427.878 (47%) pessoas na pobreza no cadastro único do governo federal (julho/2023).
- Há 255.632 pessoas (28%) na faixa de baixa renda no Estado (julho/2023).
- Disto se tem 683 mil e 510 pessoas com renda de até meio salário mínimo (R$ 660,00), o equivalente a 21% do auxílio saúde dos procuradores para passar o mês.
- No Estado, um total de 92% da população do Estado (1 milhão e 390 mil pessoas) - Secretaria da Saúde/junho/2023 - são dependentes do Sistema Único de Saúde.
E os procuradores se atribuindo um auxílio saúde de R$ 3 mil e 100.
Se para aqueles 683 mil é uma questão de sobrevivência ter defesa, para outros é apenas um ganho legal obtido por formas legítimas de pressão que a maioria deveria ter nos parlamentares e não o tem.


