Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Uma diferença de meio bilhão de reais teria caído no bolso de corruptos na compra de campos operatórios de TNT no governo. Inquérito já está concluído pela Polícia Federal

luizarmandocosta 05/08/2019 1122 visualizações

A crítica ao Lavajatismo do MPF no Estado (e os equívocos ministeriais) presente na Operação Pronto Socorro (de desvios na Secretaria de Saúde no governo Siqueira Campos/licitação e Sandoval Cardoso/quando ocorreram as tratativas), entretanto, não renegam, em absoluto, a apropriação de recursos do sistema de saúde pública no período. Nos últimos posts apontei erro de foco em determinados casos (e acusados), gerados pela pressa midiática.

Um dos roubos é exemplar: na compra de campos cirúrgicos. O processo está em andamento, após as conclusões do inquérito da Polícia Federal (instaurado em 12 de dezembro de 2014 e concluído pelo delegado Rildo  Rodrigues Lima em 18 de dezembro de 2018).

O governo adquiriu os insumos contra pareceres técnicos (Parecer técnico 089/2013)que apontavam a inconsistência de materiais feitos de TNT. O parecer foi retirado do processo (conforme inquérito da PF que este blog teve acesso) pelo então sub-secretário, José Gastão, que substituía a ex-titular, Vanda Paiva.

Conforme a Polícia Federal (processo ainda em tramitação) a empresa Brito e Ribeiro Ltda teria adquirido 23.290 pacotes de campo operatório da empresa Anadona a R$ 8,89 cada pacote, totalizando R$ 206.159,09. E os revendeu ao governo do Estado (pregão eletrônico 224/2013) por R$ 35,08 cada pacote (18.540 pacotes), totalizando R$ 650.383,20. Uma diferença entre o preço de custo e a venda de estupendos R$ 485.562,60, já que por R$ 8,89 (preço de custo) não sairia por mais de R$ 168.820,60, como identificou a PF pelas notas fiscais.

E para onde foi essa grana: os diálogos captados pela PF com autorização judicial não comportam dúvidas. Para servidores públicos. Em uma das gravações do IPhone de Samuel Brito (sócio da Brito e Ribeiro), trava-se o seguinte diálogo travado entre os dias 16 e 17 de outubro de 2014.

Samuel – Cadê você. Raimundo – Saúde. 2269. Processo do campo. Samuel – Ficou quanto para nós. Raimundo – 600 mil. É esse  o número dele. Confirma aí. ????? Samuel – Isso. Só conseguiu isso. O que foi. Raimundo – Divisão mesmo. Mas estamos trabalhando em outros. Vai chegar mais uns 400. Samuel – Blz. Raimundo – Já passei pro Edy. Está fazendo. Samuel – Então vai ter pescaria? Raimundo – Vai. Pode confirmar. Samuel – Vai sair mais alguma coisa. Raimundo – Estou organizando. Samuel – Pelo menos mais 500. Raimundo – Relaxa. Samuel – Não. Só acho o CL baixo. VI. Raimundo – Lá é 12 a comissão. Do campo. Samuel – Sim. Raimundo – Você aumenta mais 3% para fazer 700 mil Samuel – Mais três nos 100 a mais né. Raimundo – Em tudo. Samuel – Mais aí pesa né. Raimundo – 14 pra não ser este 15 do Miranda (...) 500 a 12 e 200 a 15 pode ser Samuel – Fechado. Raimundo – Aumenta 6 mil só.

Conforme o relatório da Polícia Federal, na troca de mensagens Raimundo Filho informa que saíram R$ 600 mil para Samuel relativos aos campos operatórios.  Samuel, contudo, se mostra insatisfeito com o valor "ao que Raimundo diz que vai chegar a mais 400 e depois fala em mais 500. Raimundo Filho diz que a comissão é 12% e sugere que Samuel aumente mais 3% para fazer R$ 700 mil e ao final fecham acordo para que fique R$ 500 mil a 12% e R$ 200 mil a 15%.

Segundo a Polícia Federal, na troca de mensagens, após sugerir que Samuel aumentasse a comissão em mais 3%, "Raimundo Filho diz: Estou com ele aqui". O que sugere, conforme a Polícia Federal que Raimundo Filho estaria na presença do destinatário da comissão.

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