Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Uma chapa Eduardo Gomes/Mauro Carlesse tem tudo para emplacar com ou sem Bolsonaro. Mas depende do grau de mimetismo da ação política de ambos!!

luizarmandocosta 28/06/2020 745 visualizações

O arranjo político para entrega de máquinas a prefeitos amanhã no Palácio Araguaia, com a anunciada participação do Ministro do Desenvolvimento Regional (com recursos de emendas parlamentares) sinaliza, em larga medida, etapa de elaboração de uma chapa para 2022: Jair Bolsonaro-reeleição/Eduardo Gomes-Governo/Mauro Carlesse-Senado.

A pesquisa Datafolha deste domingo aponta, entretanto, que 75% dos brasileiros apoiam a democracia de que Jair Bolsonaro é refratário por defensor dos regimes militares que, no Brasil (e nos países em que assumiram protagonismo sobre os civis) transformaram-se não só de arquétipos (como o governo Bolsonaro sugere querer se impor nas atuais circunstâncias) mas em ditaduras acabadas.

O projeto ideológico de Jair Bolsonaro (que tem suplantado nas prioridades o projeto de governo) é, assim, fator determinante (mas não incondicional ou inexpugnável) para o êxito dessa suposta chapa majoritária no Estado, considerada a avaliação da Datafolha de hoje. O indicador pró-democracia é mais que o dobro do apoio eleitoral (e ideológico) ao presidente. A pesquisa é de âmbito nacional.

Enquanto o apoio à ditadura caiu de 12% (dezembro/2019/última pesquisa) para 10%, o apoio à democracia cresceu de 62% para 75%. De outro modo: Bolsonaro terá que mudar e ainda haveria prazo. Caso contrário, as possibilidades de naufrágio de uma chapa Bolsonaro/Gomes/Carlesse - não submetidas a outro trato político - seriam infinitas. No Estado, tem-se, por razão lógica, sua proporção. E ainda tem a negação de Bolsonaro à pandemia (57 mil mortes neste domingo) e  às medidas da OMS.

Ambos, Eduardo Gomes e Mauro Carlesse, democratas (filiados ao MDB e Democratas, respectivamente), tem tido até aqui, com efeito, mais acertos que equívocos. E não se tem notícia de ímpetos arbitrários dos dois. Gomes, como líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, tem se saído com desenvoltura. É, de longe, a maior expressão política do Estado atualmente. Reconhecido nacionalmente por seu trabalho de articulação do governo federal no Congresso.

No Estado, Eduardo (como avalia a classe política) seria, atualmente, o melhor nome para unir o maior número de partidários de um mesmo projeto político de governo. Atua junto às lideranças regionais com a mesma facilidade com que opera na liderança no Congresso e exímio articulador como atuou na Câmara dos Deputados. Agrega  mais que divide.

Só pecaria na forma aparentemente paroquial com que trata seu cargo (e prestígio) nacional em benefício do Estado, deixando de lado projetos grandiosos como o Matopiba, BR-235, BR-242, duplicação da BR-153 (para ficar apenas nestes) para ocupar-se de questões menores que poderiam ser tratadas no âmbito de deputados federais, estaduais e vereadores. Sua agenda, quando o assunto seria projetos do Estado, estaria sendo ocupada, grande monta, a ações articuladas pelo federal Carlos Gaguim e o próprio Carlesse, como apontam parlamentares.

O problema é que esse método de deixar de lado questões menores já levou prejuízo a outros políticos. A senadora Kátia Abreu (PP) – e então Ministra da Agricultura - , tinha com a presidente Dilma Roussef, a mesma relação que Eduardo Gomes tem com o presidente Jair Bolsonaro (e o senador João Ribeiro com Lula). João não se ocupou de grandes projetos e optou por apoiar Siqueira a disputar o governo.

Kátia Abreu operou em grandes projetos e abriu a vaga da disputa ao governo para Marcelo Miranda. Em 2010, quando todas as pesquisas a indicavam na frente, abriu mão para Siqueira Campos que estava "encostado" em Brasília, depois de derrotado por Marcelo/Brito Miranda. Kátia o ressuscitou, do ponto de vista político. Isto depois de ter sido eleita justamente contra o próprio Siqueira e derrotando o filho, Eduardo, na disputa do Senado. Erros táticos e estratégicos que Gomes pode não cometer.

Kátia era, entretanto, comumente criticada por lideranças políticas por não "dividir" o êxito dos projetos e não ocupar-se destas tais questões menores. Não permitia, por outro lado, intermediários entre o que conseguia e o beneficiário.

Ou seja: terminou quebrando o elo da correia eleitoral, interceptando a comunicação entre a obra e o voto, seu objeto. Estabeleceu um vazio no município entre ela e o voto que é "vaquejado" pelas lideranças locais e estaduais. E que também tem seus projetos políticos que dependem de reconhecimento de benefícios que possam angariar a seus eleitores.

Já Mauro Carlesse (ainda que se o critique) os acertos superam em muito o equívocos. Faz um governo melhor que de cinco governadores anteriores (Marcelo/Gaguim/Siqueira/Sandoval/Marcelo). Enquadrou as despesas de pessoal, paga folha em dia, busca investimentos, massacrou a oposição, comanda o Legislativo e demonstra apoio aos municípios. Faz um governo onde não se vê voluntarismo de secretários querendo fazer uso da máquina por projetos pessoais. Ainda que alguns de vez em quando botem a cara de fora, como que reforçando a regra geral com a exceção.

Na saúde, os problemas foram reduzidos e administra uma crise de pandemia melhor que outros Estados da Federação. Pode-se argumentar sobre as dívidas. Estas entretanto também eram determinantes nos últimos governos, mas a saúde registrava situação pior e os salários o governo tinha que fazer malabarismos contábeis para pagar. O 13º então era um parto.

Contrapondo-se a questão ideológica (democracia/ditatura) ao que fazem, uma chapa Eduardo Gomes/Mauro Carlesse tem saldo positivo. E massa para emplacar com Bolsonaro ou sem ele. Mas aí ambos terão que conservar distância do Presidente. Nem tão longe que possa ser tratado como adversários, tem tão próxima, para serem vistos como iguais. Mimetismo puro.

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