Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Um raro caso de o filho vir primeiro que a mãe. Narrativas políticas sobre a criação de Palmas não favorecem a compreensão do processo histórico da Capital pelas gerações futuras

20/05/2024 856 visualizações

A guerra de narrativas da criação do Estado e de Palmas segue firme, 35 anos depois.

É a contribuição que a política dá à verdade alternativa com sérias implicações na compreensão futura.

Depois do siqueirismo (no governo Siqueira Campos)  ter plantado que o ex-prefeito Eduardo Siqueira teria sido o primeiro prefeito eleito de Palmas (trocando a preposição “em” para “de” pulando Fenelon Barbosa da história eleitoral palmense), tem-se nestes dias o troco.

Veicula-se nas rádios e redes publicidade institucional amplificando que Taquaruçu (onde o pai do governador Wanderlei Barbosa foi prefeito quanto era Taquarussu do Porto) teria sido o berço de Palmas.

A informação da marquetagem importada – como lá no siqueirismo - é reducionismo grosseiro em favor de ativos políticos. Palmas nasceu no artigo 3º da Constituição estadual de 89.

Entre 89 e 90, aliás, Siqueira Campos criou 45 municípios no Estado. Dentre eles, Palmas, aprovado pela  Assembléia em julho de 89, depois de lançada a pedra fundamental da cidade.

Tinha a caneta de desapropriação e a unanidade dos deputados para criar o que quisesse. As Disposições Transitórias da CF de 88 davam-lhe suporte.

Só para efeito de raciocínio: Palmas teve a pedra fundamental lançada em 20 de maio de 89 (o aniversário de 35 anos que se comemora hoje).

Siqueira abriu ruas e tal, aquela histórica foto dele acionando trator. Eu estava lá, naquele dia ensolarado, comendo carne fria e feijão tropeiro e vendo show de Genival Lacerda e Marinês.

A transferência da sede (Taquarussu do Porto) para Palmas se deu, entretanto (o parto), por resolução (28) de 29 de dezembro de 1989, oito meses depois.

Consequência direta, como bem o sabem os primeiros moradores e servidores públicos, das desavenças políticas entre Sebastião Borba, prefeito de Miracema (escolhida a capital provisória), onde se instalara o governo, e o governador Siqueira Campos.

A prevalecer a narrativa destes dias, deve ser um caso único de o filho nascer primeiro que a mãe. Ou do filho, depois de nascido, sair em busca de uma genitora.

Ou o uso inadequado do vocábulo berço, um equívoco usual mas que não caberia sua amplificação no modo público. Apesar da licença política.

De outro modo: ainda que muita gente siga narrativas alternativas, Eduardo não foi o primeiro prefeito eleito de Palmas e Taquaruçu (que era Taquarussu do Porto) não é berço de Palmas.

Ainda que possa parecer contraditória a relação eleição Eduardo/Fenelon e Palmas/Taquaruçu/berço/filho, não o é.

É, em certa medida, como dizer que Porto Nacional fosse berço de Luzimangues (nascido dos povoados Mangues e Santa Luzia) mas preenchido por moradores da Capital.

Ademais, Palmas estava mais próximo de Canela e Taquaral do que da sede de Taquarussu do Porto, hoje denominada de Taquaruçu.

Para facilitar a compreensão, o uso de metáfora não é certamente um instrumento histórico.

Compartilhar

Deixe seu comentário

3 Comentário(s)

Lázaro Antônio de Amorim 21/05/2024

Com todo respeito ao blogueiro, nunca tinha lido tanta besteira quanto agora! Fiquei pasmo. Agente no mínimo temos que ser prudente e coerente! Agora eu pergunto: este texto serve para que mesmo?? Me poupe né?

Aloísio Donizetti de Medeiros Borges 21/05/2024

Falo, falo, mais não explica nada...

LUSIMAR MORAIS 20/05/2024

Você, conhecedor e testemunha viva dessa história, poderia distrinchar melhor essa história. I A verdade dos fatos precisarl vir a luz e ficar devidamente registrada para a posteridade e não pode como uma história de egos, mas uma história real da capital do nosso estado. Nós e os que virão depois de nós merecemos

Mais em Ponto Cartesiano