O deputado federal Osires Damaso é uma graça. Publicou, como uma vitória, esta foto aí ontem no seu instagran. Sem máscara no encontro de líderes evangélicos em Goiânia (GO) para, dentre outras coisas, esquentar para a manifestação Pró-Bolsonaro de 7 de Setembro e também pelo fechamento do Congresso e do STF. Ou seja, pela volta da ditadura.
Como é óbvio, não se saberia, portanto, o que estaria ele a querer dizer com o dedo polegar para cima em sinal de positivo num encontro desses e sem cumprir as normas sanitárias. Arrisco um palpite: os quase 600 mil mortos da Covid-19 no país seria exemplo "vigoroso" de "progresso e prosperidade" e que esse negócio de contaminação pelo ar seria apenas um tática conspiratória contra seu presidente. Ou a derrocada da democracia se constituiria em um avanço civilizatório.
Os militares de 64, como a história registra, fecharam o Congresso e o Supremo. Nomeavam presidente, vice-presidente, governadores e prefeitos das maiores cidades do país e criaram o senador biônico que era indicado pelos generais. Osires e Bolsonaro foram ambos eleitos pelo voto popular porque a democracia mais que o permite, determina que assim o seja. Já o fechamento do STF dotou delegados e guardas de esquina do poder de escolher quem quisesse para ir ao xadrez. E sem habeas corpus, também confiscado pelos militares.
Mas Osires não está nem aí. E ainda fez uma embaixadinha: dedilhou que o encontro de ontem foi “uma ótima oportunidade para falar das pautas de interesse do nosso povo e do nosso país.” Deve ter sido. Fico a imaginar um diálogo entre Damaso e Jair, naquela confusão de evangélicos misturando fiéis e militantes, sagrado e profano, recurso de campanha e dízimo. Osires: presidente aquele dinheiro do município não foi, dá uma ajudinha. E Jair: vou cobrar Osires essa sua emenda!! Para de encher o saco!!
Aliás, foi lá em Goiânia ontem que Jair Bolsonaro discursou:” "Eu tenho três alternativas para o meu futuro: estar preso, estar morto ou a vitória.” De forma que o encerramento da postagem de Osires (estamos juntos) é revelador do que pensa sobre democracia.
Mas não é de estranhar: o deputado votou em favor dos R$ 5,7 bilhões para os cofres da campanha eleitoral (onde tem um partido, o PSC), fez declarações públicas pelo voto impresso (o retorno da esculhambação da contagem manual de votos), votou favorável à tal PEC dos Pioneiros (que convalidou atos ilegais dos primeiros governos e que levará a um rombo de R$ 35 bilhões nos cofres estaduais) e pela PEC que volta as coligações proporcionais, extintas justamente pelas distorções que provoca na escolha do eleitor.
Enquanto o parlamentar sassaricava com Bolsonaro sem máscara ontem, reforçando seu desgoverno e anacronismo político, no Estado do Tocantins já se registravam 3.673 óbitos do Covid-19 (em Goiás ontem eram 22.355 mortos). E no Brasil, 579.052 brasileiros já haviam perdido a vida para o coronavírus.
E o presidente acenava com projeto para desobrigar o uso de máscara no pais, as variantes do vírus disseminam como raio. O estamos juntos, desta forma, do deputado no instagran deve valer também o voto de Osires na insanidade da desobrigação das máscaras.


