A desistência da jornalista Roberta Tum de disputar a prefeitura da Capital pelo PCdoB (Federação PV/PT/PCdoB) – como informou a profissional ao blog nesta quarta – retira do processo político oportunidade rara de mudança.
Não só da prática eleitoral mas de exercício de política para modificar estruturas e, como consequência, a vida das pessoas que financiam o sistema depauperado.
Tum conhece bem os pilares que sustentam esse estado de desigualdades e a quem ele favorece escandalosamente e de forma explícita.
E tentou mudá-lo do outro lado do balcão. Tum não quis adiantar ao blog as causas. Mas disse que o fará. As consequências, entretanto, são previsíveis.
É muito claro a aposta do PT e do PV. Ambos estão ligados ao governo bolsonarista. Assim como o PCdoB.
O PT, meses atrás, tentou emplacar o técnico Wanderlei Luxemburgo. Uma estratégia comandada pelo presidente regional do PT, ex-deputado Zé Roberto, que levou o PT para a base palaciana.
Ultimamente outra parte petista discute com o PSD de Irajá Abreu uma candidatura na Capital e o nome mais cotado seria o ex-candidato ao governo Paulo Mourão.
O PV e PC do B por seu lado irão para onde o Palácio mandar. Não adianta os diretórios municipais decidirem ter candidatura própria. As lideranças seguem onde tem o din-din.
O sistema financeiro das campanhas determina quem manda e quem deve obedecer. São raras as exceções.
As emendas parlamentares estaduais (R$ 180 milhões) e os orçamentos legislativos estão aí jorrando nos shows nos municípios. Um duto escancarado a céu aberto.
É provável que Tum tenha sido moída (ou se decepcionado) por este liquidificador e tenha refletido que pode ajudar mais exercendo sua profissão, denunciando desvios éticos, morais e de recursos públicos. Do lado de cá.
Como os existentes na própria Federação de partidos da qual faz parte. Onde um lado debate candidatura própria e outro se esbalda nos recursos públicos desviados.
O mesmo caixa que banca, com desfaçatez inaudita, seus patrimônios pessoais volumosos (sem dar um prego numa barra de sabão), pesquisas de intenção de votos manipuladas, compra de apoios e grande parte dos fake-news contra adversários.
Roberta Tum está, sem sombra de dúvidas, melhor do lado de cá.


