No Lógica do Sentido (Editora Perspectiva/2015/tradução Luiz Roberto Salinas Fortes), o filósofo Gilles Deleuze propõe uma análise dos paradoxos do puro devir, fazendo uso de Alice no país das maravilhas (do inglês Lewis Carrol).
Escreve Deleuze: “Quando digo que Alice cresce, quero dizer que ela se torna maior do que é agora. Sem dúvida, não é ao mesmo tempo que ela é maior e menor. Mas é ao mesmo tempo que ela se torna um e outro. Ela é maior agora e era menor antes. Mas é ao mesmo tempo, no mesmo lance, que nos tornamos maiores do que éramos e que nos fazemos menores do que nos tornamos. Tal é a simultaneidade de um devir cuja propriedade é furtar-se ao presente.”
Observando pela lógica do puro devir (etimologicamente processo de mudanças efetivas pelas quais todo ser passa/movimento permanente que atua como regra, sendo capaz de criar, transformar e modificar tudo o que existe) não escaparia de reacionarismo chin-frin (despido de fundamentos) o revisionismo do devir que estariam a propor agentes de turismo, quilombolas, parcela de artistas e políticos atrás de votos na contrariedade à concessão de parte do Jalapão. A não mudança pela manutenção dos interesses.
Mas não é o ponto: o trade turístico da Capital, prefeitura, Câmara Municipal e Ministério do Turismo tem encontro amanhã em Palmas para debate sobre o projeto Destino Turístico Inteligente. Ainda não se vê mvoimentações de militância. Palmas é uma das dez cidades escolhidas no país (uma das duas da região Norte) para abrigar o programa que tem como foco a concessão de parques, através de Parcerias Públicas de Investimento. Por aqui, o Parque do Lajeado.
São milhões de recursos federais para investimentos. Empregabilidade. Neste aspecto, o Ministério do Turismo mandou para o Estado (2019/2020) algo em torno de R$ 100 milhões e financiou artistas na pandemia em 139 municípios (foram R$ 3 bilhões no país).
Deveriam, portanto, comparecer os quilombolas, procuradores, defensores, políticos, agentes de turismo e artistas (do Jalapão) para não só entender, mas compreender a lógica do devir. E quem sabe ler um pouco sobre a concessão do Parque do Iguaçu (um case de sucesso no setor) que recebe dois milhões de turistas anualmente (o Jalapão recebe 40 mil).
Como avaliou ontem a este blog o chefe de gabinete do Ministério do Turismo, Hercy Filho: turismo é sustentabilidade. A empresa, qualquer uma, que tiver uma concessão vai zelar por aquele que é o seu patrimônio. Se você quer preservar a economia e um destino, faça dele um turismo sustentável. E fazer com que a população seja beneficiada.
A roda da resistência, como se nota, gira para trás. Deixa de lado que o devir é inexorável. Impor-lhe barreiras só adia oportunidades de acabar com a pobreza e o atraso. Um progressismo às avessas. Uma ida amanhã na reunião do DTI pode abrir-lhes o cérebro para uma ideologia mais producente e correspondente aos objetivos pelos quais dizem se movimentar.
Vamos lá, Alice!!!


