Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Tocantins: 60% do eleitorado que foi às urnas em 2022 tem menos de 39 anos. Um contingente que não viveu o regime militar facilmente manipulado pelos bolsonaristas que construiram o 8 de janeiro para trazer de volta a ditadura

08/01/2024 294 visualizações

Não coleciono que o Brasil seja um país estranho. Vejo-o resultado de uma estratégia política que aposta na educação deficiente e na miséria para a preservação do populismo que sangra sua gente.

Veja, por exemplo, os R$ 5 bilhões para campanhas eleitorais aprovado pelo parlamento (de maioria bolsonarista) quando mais de 30 milhões passam fome no país. Mesmo Congresso que deu suporte à construção do 8 de janeiro que faz um ano nesta segunda.

O país ficou três décadas sob a taca de uma ditadura e, hoje, um ano após o sucesso da intentona bolsonarista (fracasso da tentativa) ainda se tenha que registrar (última pesquisa) nove milhões de brasileiros favoráveis a um golpe militar.

Mesmo que 74% da população prefiram a democracia ao regime de exceção, outros 89% se dizem favoráveis ao 8 de janeiro de 2023. A deliberada confusão entre vandalismo e golpe, como se percebe, não acrescentaria ao regime democrático. Mas favoreceria arbitrariedades.

Obviamente que o vandalismo não atacado e controlado pelas instituições democráticas, cobraria a intervenção do Exército. E isto o país já conhecia. Um roteiro  desvendado pela Polícia e Justiça e antecipadamente previsto pela sociedade política. Mas sem contenção.

Com efeito. No Tocantins, apesar da pandemia negada e negligenciada pelo projeto de ditadura que fez, na Covid-19, o monte de 4 mil e 256 mortes (e 372 mil casos confirmados) no Estado, o arquétipo político do retorno militar foi aceito em 2022 por nada menos que 379 mil dos 891 mil eleitores que foram às urnas para escolha de presidente.

E optaram por Jair Bolsonaro expulso da carreira militar na ditadura pelo mesmo Exército que o acomodara em 2018 na democracia. Para presidente, a falange foi derrotada, por diferença mínima, mas permaneceram vivos seus tentáculos.

Para deputado federal, esse mesmo eleitor consagrou  no Tocantins a soma de 598 mil votos (dos 830 mil votos dados à Câmara dos Deputados) a candidatos de 12 partidos bolsonaristas. Outros 568 mil votos foram entregues a candidatos da base bolsonarista para o Legislativo estadual.

Uma das relações de causa e consequência: dos eleitores do Estado que foram às urnas em 2022, um total de 538 mil tem menos de 39 anos. Significa 60% daqueles 891 votos válidos para presidente. Nasceram já na democracia. Mas podem ser analisados de forma inversa: não viveram a ditadura.

Ou não tentaram estudar e conhecer seus aspectos. Analfabetos não só políticos egressos de uma formação nas redes sociais à qual o Estado faz vistas grossas. Pior: dela faz uso para divulgar suas plataformas político-partidárias.

Protagonismo sem antagonismo. Bem a propósito de suas toscas ideologias que são alimentadas não por livros ou informações checadas, mas mensagens de grupos de WhatsApp . Muitos não lêem mais jornais, não sintonizam em noticiários de rádios ou vêem televisão. Só a correia de transmissão.

É um grupo que não viveu a cassação do livre-arbítrio, não foi proibida de falar sobre política nos botecos, escolas ou universidades. Não teve que submeter suas publicações de redes sociais ao governo para poder alimentar seus perfis. Não foi privada de escutar canções ou ver uma peça de teatro ou filme que apresentasse uma outra visão de país.

Não teve que pedir emprego no poder público a militares porque a ditadura não realizava concurso público. Não teve que aceitar um governador ou senador biônico, nomeado pela Junta Militar para governar seus Estados.

Não viu o Congresso e o STF ser, na prática, fechado pelos militares. Não viu os militares abolirem o habeas corpus, possibilitando delegados, agentes ou ao guarda do quarteirão a prenderem quem quisesse ou não fosse com a cara. Não foi chantageada por alcaguetes.

A ditadura, como se sabe, foi encerrada em 1.985 não por iniciativa da ditadura militar. Mas das ruas no movimento Diretas já que pressionou pela votação de Tancredo no colégio eleitoral.

A maioria das pessoas também não viveu na era de Hitler, Mussolini, Stalin ou Torquemada. Mas a educação as levou a compreender razões para não tê-los de volta.

Talvez esteja aí a explicação para a fome perene e o analfabetismo não só no Estado, mas no país. E viva o PIBÂO!!! Abaixo os freios e contrapesos. Um salve às emendas parlamentares!!! Um urra ao Bolsa Família e aos miseráveis.

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