Os políticos do Estado (que buscam mandato ou não) entram a última semana da janela partidária que expira na próxima sexta (1º). São seis meses antes das eleições de 2 de outubro. Natural que estejam agitados.
Assim, pode ter sido a pressão política do calendário eleitoral a empurrar o governador Wanderlei Barbosa a negar, a priori, o pensamento e comandar numa sala do Palácio Araguaia esta semana reunião com deputados estaduais aliados.
Pauta: discutir a formação da chapa proporcional (deputados estaduais e federais) governista (como apontou em primeira mão a jornalista Roberta Tum).
Ronaldo Dimas e Paulo Mourão, portanto, garantiram o passaporte para fazer a mesma reunião com seus correligionários não só no auditório da sede do governo estadual, mas na sala de reuniões do Executivo. Não creio que o farão.
Wanderlei tem feito um bom governo. Melhor que o de Marcelo Miranda, Sandoval, Siqueira Campos e Gaguim. Segue, administrativa e fiscalmente, os princípios do governo Mauro Carlesse do qual integrou e agora sucedâneo. Na verdade, princípios legais.
Não há premissas a demonstrar o contrário.Tanto da herança quando da sequência principial administrativa, ressalvadas as denuncias de desvios que, até agora, não iluminaram expedientes iguais em Wanderlei.
Mas se o governador não tomar cuidado com assessorias e aceitar seus conselhos sem reflexão, como já ocorre em determinados setores de forma imedida, sua carreira pode ser encurtada.
Wanderlei e seus potenciais aliados, como já se percebe, optaram pelo idealismo especulativo à previsibilidade da ciência. No caso da reunião eleitoral no gabinete com deputados para discutir chapa, a lei, que proíbe reuniões político-partidárias em prédios públicos sem publicidade antecedente. No popular: às escondidas.
Somente a certeza de serem eleitos, portanto suscetíveis a anistias ou cegueira institucional (uma abstração imprevisível) sustentariam a sua negação. Na sala de reuniões do governo, um abuso institucional.
É só trocar os elementos: pense Jair Bolsonaro convocando uma reunião de deputados federais e senadores no Palácio do Planalto para discutir a chapa presidencial no Congresso!!! Definindo quem vai entrar na chapa ou escolhendo quem vai ser eleito ou não.
No mérito, uma tática errática que sinaliza estratégia necessitada de discussão mais substancial. A não possibilidade (legal) de coligações proporcionais nas próximas eleições e a oficialização de Federações Partidárias, por si, já exigiriam outros parâmetros na montagem de grupos eleitorais este ano.
E, claro, diferente atuação sobre revelada intenção palaciana de eleger 20 dos 24 deputados aliados (?). De outro modo Wanderlei teria no resultado das eleições, o quorum verificado na aprovaçao do impeachment de Mauro Carlessse (24 sim) no seu chapão!!!
No que a população se vê levada antever um eventual próximo governo de Wanderlei Barbosa dominando a unanimidade do Legislativo com tudo que isto tem significado nas contas públicas e na edição de leis no Estado. Ou seja não precisaria o eleitor eleger seu representante. Bastaria o Executivo baixar um decreto e eleger os seus no Dário Oficial. Um idealismo palaciano produto do surrealismo fantástico na cabeça dos tributários do governo.
Da mesma forma que a tal “chapa batida” que teria sido defendida por Wanderlei Barbosa (na expressão do Blog da Tum) com deputados é puro exercício irrefletido de prepotência política do cargo. Não há como falar em chapa com PSDB, União Brasil ou PL (para ficar só nestes) sem entendimentos com Cinthia Ribeiro, Dorinha Seabra ou Eduardo Gomes em reuniões palacianas comandadas politicamente (como é possível deduzir) pelo deputado Eduardo Siqueira Campos que, tudo indica, Wanderlei se dispõe a ressuscitar, agregando à sua chapa tudo que isto significa.
E ele próprio que o disse à jornalista Roberta Tum. Para negar uma frase que teria dito na reunião, confirmou-a de forma indireta e igual expressão performática que imprimia no comando dos governos do pai.
Declaração que Eduardo refutou ter dito ao deputado Fabion que disse na reunião (conforme o Blog da Tum) que decidiria ficar no PL:
“Se você ficar lá, se prepara porque depois do dia 2 vou começar a tirar um por um de sua chapa, tiro 11 de lá, você sabe como eu sou”.
Declaração dada pelo próprio Eduardo Siqueira ao Blog da Tum para refutar a declaração que lhe foi atribuída na fatídica reunião:
“O que eu tenho dito, quando me falam que partido A ou B tem tantos candidatos a estadual ou federal é que eu não estou vendo isto. Abro o Site do TRE não vejo estas filiações. Então vamos conversar depois do dia 2”.
Conclusões objetivas das expresões siqueiritas.
- O deputado siqueirista não nega o seu jeito, digamos, “Putin” de ser. Ou seja, manteve a ameaça de tirar 11 de lá.
- Ele sabe que o TRE só vai ter os dados consolidados depois de todas as filiações. Até porque, como ele também sabe, os partidos mandam as filiações em bloco para o Tribunal. Até por estratégia política na janela.
- Ele se avoca titular da competência de conversar com os deputados depois do dia 2, quando termina a janela. Como não é presidente do Democratas (União Brasil) e sim a deputada Dorinha Seabra e não é secretario político do governo, uma declaração muito forte e não negada pelo Palácio.
- Negativa não colocada reveladora de consentimento de Wanderlei à condução siqueirista, a corrente responsável pela maior negação da história do Estado que o atual governador diz querer resgatar dos que considera forasteiros.
Com tudo isto aí, apontar essas derrapadas é considerado ser oposição a Wanderlei Barbosa. Uma avaliaçao, por lógica, conveniente às assessorias porque encobriria os equívocos e, portanto, a necessidade (do chefe deles) de combatê-los em favor de melhor desempenho. Tanto administrativo quanto político. O primeiro, público e o outro privado, mas também financiado com recursos públicos.


