O PSB deve homologar a candidatura do vereador Tiago Andrino nesta terça. Aparentemente não haveria disputa ou resistência interna. Aliás, as candidaturas este ano, em praticamente todos os partidos e municípios, tem-se revelado quase consensuais.
Tiago Andrino é talhado, desde o primeiro mandato de Carlos Amastha, para substituí-lo. Político nenhum é proibido de buscar fazer seu sucessor. Uma decisão pessoal e partidária legítima. E o vereador tem suas qualidades. É "limpinho" (no popular) na administração pública e na vida pessoal. Sem arestas políticas também.
Amastha escolheu e deve-se respeitar suas inclinações e projeto políticos. É uma liderança inconteste. Na primeira eleição estadual que disputou, surpreendeu projetando, pela lógica, desempenhos melhores pela frente. E Andrino foi o segundo deputado federal mais votado na Capital em 2018.
Ainda que existam aqueles que prefiram abster-se a impulsionar aliado que possa fazer-lhe frente. Também uma escolha não proibida como lhe autoriza o estado democrático e de direito. E a sintaxe na permissão da dupla negativa. Não é o problema.
Andrino e Amastha irão lidar, em larga medida, entretanto, com conceitos. Fico por enquanto com um: o ex-prefeito tem investido numa suposta traição de Cínthia Ribeiro. A situação tem pelo menos dois ângulos nítidos:
- a prefeita teria traído-lhe nas vontades ao exercer o cargo sem interferência do ex (não há traição sem negação ou escolhas) que desde sempre trabalhava Andrino para suceder-lhe nas urnas
- Cínthia escolhera assumir a administração não como interina, mas definitiva como de fato e de direito as circunstâncias (e a lei) a concediam.
Na primeira, seriam Amastha e Andrino escrutinados sobre o interesse público dado que, no cargo, o prefeito é obrigado a priorizar as necessidades da administração pública e da população. Teriam que demonstrar ser o interesse do PSB (e do ex-prefeito) não conflitante com o interesse da plebe. Mais que convergente, o mesmo.
Na segunda assertiva, os fatos concorreriam também contra Andrino e Amastha. Cínthia foi eleita vice do ex-prefeito prometendo à população também cuidar da cidade por quatro anos (2017/2020). Amastha rompeu unilateralmente o compromisso com o eleitor com um ano (quando foi pago antecipadamente com votos por quatro) em favor do seu interesse e do projeto pessoal de se candidatar ao governo.
Não administrar (como a obrigação pública o exigiria) faria de Cínthia cúmplice de uma farsa, associada a um engodo, um descumprimento dessa espécie de pacto social. A prefeita desta forma terminou cumprindo o que Amastha prometeu o que inverteria os papéis de traído/traidor.
Essa equação (o viés de campanha que o PSB tem feito uso) termina, assim, por realçar nas personagens suas indumentárias exteriores, iluminando os interiores que carregam.
Mais ainda na absoluta impossibilidade de demonstrar que a cidade estaria paralisada (sem obras) - o que supõe-se pela tática fosse ela, a paralisia, meta a ser cumprida - talvez residisse aí, mais emergente, a traição ao projeto que exigiria inação e inapetênca da prefeita que justificassem a sua troca (não reeleição) no cargo por imposição do grupo.
Muito explícita na argumentação prevalente de suposta traição que seria, na verdade, fazer justamente o que o ex-prefeito, por suas ações consequentes, teria projetado a priori: uma Cínthia Amastha esquentando lugar para outro Amastha, o Tiago.
Como disse, uma questão de conceitos. E que o PSB terá dificuldade para reverter a esta altura dada a antecipação de sua estratégia e os fundamentos de sua tese.


